REZEMOS PARA QUE VISITA PASTORAL A VILAR DO PARAÍSO, DE 27 DE OUTUBRO A O1 DE NOVEMBRO, FORTALECA A NOSSA FÉ E NOS TRAGA CAMINHOS DE RENOVAÇÃO CRISTÃ PROPOSTA PELO SÍNODO DIOCESANO: "FORMAR-REFORMAR-TRANSFORMAR" E UNA EM ORAÇÃO DE ESPERANÇA E ALEGRIA A NOSSA COMUNIDADE PARA QUE DÊ FRUTO EM ABUNDÂNCIA
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

"EUTANÁSIA" é uma grande perda para a humanidade, um caminho perigoso e de desumanização"

Em entrevista à Renascença, D. António Augusto Azevedo fala numa questão que "fratura a sociedade" e que pode fazer prosperar "populismos e radicalismos vários". O que é preciso, defende o bispo transmontano, é "ter o melhor serviço de saúde, melhores serviços com cuidados paliativos, melhores espaços de acolhimento".

O Parlamento debate a 20 de fevereiro as quatro propostas de lei sobre a eutanásia. Como vê esta pressa em legislar sobre uma matéria que diz respeito a toda a sociedade?

A eutanásia é um tema muito importante e, por isso mesmo, deveria merecer uma reflexão mais aprofundada de consciencialização da sociedade, para, depois, se tomar uma decisão mais informada, mais fundamentada. Desta forma, parece um pouco apressada. Não é a melhor forma. Terá legitimidade democrática, com certeza. Não está em questão isso, mas eu gostaria de uma democracia em que a sociedade interviesse mais.

Não houve debate, não houve esclarecimento. Parece que a sociedade foi colocada à margem de um tema muito importante…

Gostaria que neste processo houvesse formas de maior participação. Eu acredito numa democracia mais participada, em que não haja medo de ouvir a opinião dos cidadãos e, portanto, eu gostaria que houvesse mais espaço para esse debate e o debate é sempre mais esclarecedor. O debate ajuda a perceber aquilo que está em questão. Sobretudo, o debate ajudaria a esclarecer as consequências de um passo destes. E o debate teria muito a prender com a experiência de outros países. Esta pressa não ajuda.

Que perigos podem advir da despenalização da eutanásia? Que consequências para a sociedade portuguesa?

Quando, com uma medida destas, se está a pôr em causa um princípio tão básico da civilização, como é o princípio do respeito pela vida, de facto, está-se a mexer nos fundamentos do consenso ético. Esta pressa é sempre um revés para a ética, um revés também para a medicina e para a ciência em geral e um revés, também, para uma sociedade que se queria, que se deseja sempre mais humana. É um facto que estamos diante de um problema, diante de uma dificuldade, uma sociedade que diante da morte não encontra sentido, que diante do sofrimento não encontra respostas. E isso acontece, quando se esquece Deus. E procuram-se soluções que ajudam a por de parte essas questões, a não enfrentar essas questões. Não é a melhor solução. Esta é uma medida que facilita eufemisticamente a morte, a morte sem dor, enfim, mas, do ponto de vista humano, de densidade humana, é uma grande perda para a humanidade, no fundo. É esse lamento que eu faço. É uma solução que algumas sociedades ditas avançadas estão a encontrar, mas é uma solução errada face a um problema real.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

ÉTICA/RELIGIÃO

Católicos, judeus e muçulmanos unidos em declaração contra a eutanásia

O Vaticano acolheu hoje a cerimónia de assinatura de uma declaração conjunta de católicos, judeus e muçulmanos contra a eutanásia e o suicídio medicamente assistido, apelando à sua proibição, “sem exceções”.

Os representantes das religiões monoteístas abraâmicas manifestam a sua oposição “todas as formas de eutanásia”, consideradas como ações “completamente em contradição com o valor da vida humana” e “erradas do ponto de vista moral e religioso”.

O texto, divulgado pela Santa Sé, considera que a sociedade deve garantir “que o desejo do paciente de não ser um fardo do ponto de vista financeiro” não o leve a escolher a morte, “em vez de querer receber os cuidados e o apoio que lhe permitam viver o tempo que lhe resta em conforto e tranquilidade ”.

O Papa Francisco encontrou-se, em audiência privada, com os signatários da “Declaração Conjunta das Religiões Monoteístas Abraâmicas sobre Questões do Fim de Vida”.

O texto assinado esta manhã procura “apresentar a posição das religiões monoteístas abraâmicas em relação aos valores e práticas relevantes para os doentes terminais, em benefício de pacientes, familiares, profissionais de saúde e líderes políticos”.

Os representantes das três religiões admitem que a sobrevivência prolongada é “frequentemente acompanhada de sofrimento e dor devido a disfunções orgânicas, mentais e emocionais”, envolvendo questões que são de ordem “religiosa, social, ética, legal e cultural”.

O documento apela à promoção dos cuidados paliativos, em várias dimensões: física, emocional, social, religiosa e espiritual.

O setor relativamente novo dos cuidados paliativos fez grandes progressos e é capaz de oferecer apoio completo e eficaz aos pacientes em fase terminal e às suas famílias. Portanto, apoiamos os cuidados paliativos para o doente e a sua família, na fase final da vida”.

terça-feira, 29 de maio de 2018

EUTANÁSIA NÃO FOI APROVADA

A Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) saudou hoje o “chumbo” dos projetos de lei levados a votação no Parlamento para a despenalização da eutanásia.

A  AMCP “congratula-se” com este resultado, por “inviabilizar a prática da eutanásia em Portugal”.

Para o presidente da AMCP, o médico psiquiatra Pedro Afonso, esta votação representa “uma vitória da medicina e uma vitória da Vida”.

“Os médicos não têm outra vocação senão estar ao lado da Vida, tratando e aliviando o sofrimento dos doentes, e garantindo os cuidados paliativos a todos aqueles que deles necessitam”, defende, em nota enviada à Agência ECCLESIA.

A Associação dos Médicos Católicos Portugueses exorta as entidades competentes a um maior investimento nos cuidados paliativos.

“A medicina apoia a sua prática no diagnóstico e no tratamento das doenças, no alívio do sofrimento dos doentes, com a finalidade de defesa da vida humana, e não em decisões que, com o subterfúgio de quererem eliminar o sofrimento, eliminam o doente”, conclui a nota.

A Assembleia da República rejeitou hoje os projetos de lei do PAN, BE, PS e PEV para a despenalização da eutanásia, numa votação deputado a deputado.

O projeto do PAN teve 107 votos a favor, 116 contra e 11 abstenções.; o diploma do PS recebeu 110 votos a favor, 115 contra e 4 abstenções; o do BE contou com 117 votos contra, 104 a favor e 8 abstenções; já a proposta do PEV teve 104 votos favoráveis, 117 contra e 8 abstenções.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

EUTANÁSIA: votar “NÃO” pelo dever de salvar

Em Portugal, a discussão sobre a eutanásia tem sido colocada ao contrário. Os defensores do sim, apoiados pela habitual onda mediática, consideram que uma pessoa tem liberdade para fazer o que quiser com a sua vida, logo tem o direito de pedir a morte ao hospital, como se a morte fosse uma operação médica como outra qualquer, como se “morte”, “morrer” e “matar” fossem meros conceitos técnicos ou médicos como “remover” ou “aspirar”. Mesmo que isto fosse verdade, mesmo que tivéssemos de aceitar que a morte é um direito, o argumento da liberdade esbarraria sempre no ponto central: o que interessa aqui não é quem quer morrer, mas sim quem se vê forçado a matar – os médicos e enfermeiros. O que interessa aqui não é o alegado direito a morrer, mas sim o dever de matar, que não pode existir. Por outras palavras, invocar o argumento da liberdade na eutanásia é falacioso, porque a eutanásia não é um suicídio normal. “Eu faço o que quiser com a minha vida” ou “sou eu quem escolhe a hora e o modo da minha morte” são argumentos para a defesa do suicídio, que é um acto total e radical de liberdade. A eutanásia não pode ser defendida nestes termos, porque a decisão final depende de um conjunto de médicos que tem de validar e executar a morte pedida. Ou seja, a eutanásia não é um acto de liberdade. Pelo contrário, é a usurpação da liberdade do outros (dos médicos e enfermeiros) em nome de um alegado direito à morte.
(...)
O ser humano terá sempre a liberdade radical para se matar, não pode é ter o direito de desviar o ónus do seu suicídio para outra pessoa ou para uma entidade colectiva e desresponsabilizadora. Ou seja, eu terei sempre a liberdade para me matar, não tenho é o direito de chamar os outros para o meu suicídio, não tenho o direito de exigir que me matem. Para me matar, eu terei sempre de fazer algo na solidão absoluta da liberdade: congregar coragem para o salto final. Ora, a eutanásia e o suicídio assistido são formas de evitar essa solidão e essa coragem inerentes à liberdade; são formas de desviar para terceiros o ónus e a coragem do acto. Pior: são formas de transformar um acto moral num acto médico e técnico isento de opróbrio. 
(...)
Além da falácia do direito a morrer e do dever de matar, existe uma terceira falha no argumento da liberdade aplicada à eutanásia: quem pede para morrer dificilmente está na posse do seu livre arbítrio ou, no mínimo, a dor já lhe diminuiu o perímetro da liberdade. Será que tem validade uma decisão tomada debaixo da coação da dor? Será que é consciente uma escolha feita no limite da dor? Duvido. E, mesmo que seja consciente, cabe à sociedade não validar esse desespero. O desespero do acamado que pede eutanásia tem a mesma validade moral do desespero do suicida normal no cimo da ponte. O nosso dever é recusar o seu desespero. Se no cimo da ponte temos de tentar agarrá-lo, na cama do hospital temos o dever de lhe dar o melhor dos cuidados paliativos e da medicina da dor.
(...)
Em Portugal, a discussão tem sido colocada ao contrário noutro sentido: a maioria dos portugueses ainda não sabe o que se passa na Holanda e na Bélgica, dois países que legalizaram a eutanásia. O quadro é dramático, para usar um eufemismo. Estamos a falar de milhares e milhares de eutanásias por ano. Estamos a falar do assassínio – sim, assassínio – de velhos com demência. Se são dementes, como é que podem assinar o consentimento? Estamos a falar do assassínio – sim, assassínio – de jovens com depressão e simplesmente cansados de viver. Estamos a falar do assassínio – sim, assassínio – de pessoas cegas, por exemplo. O quadro não é dramático, é abjecto: a cegueira e a depressão são usadas como justificações legítimas para a eutanásia. É este, de resto, o grande perigo de uma lei geral da eutanásia: abre um alçapão por onde tudo pode entrar. O que é “sofrimento insuportável”? E quem decide o que é “sofrimento insuportável”? É por isso que a eutanásia está a servir para centenas e centenas de famílias despacharem os seus velhos com demência ou com outras incapacidades. É por isso que jovens com depressão entram nos hospitais e são mortas porque estão com depressão. Ainda hoje há gente em Portugal que não acredita naquilo que estou aqui a dizer, mas os deputados que votarão não têm o luxo da negação. Os deputados de Portugal não têm o luxo de pactuar com um conceito de direitos humanos que assenta apenas na autonomia e na perfeição corporal ou mental. Os defensores radicais da eutanásia assumem que uma vida humana só pode ser vivida com total autonomia corporal ou mental; acham que a nossa dignidade está dependente da saúde e da autonomia corporal ou até mental. Sucede que a sacralidade da vida humana não depende da autonomia corporal ou sequer da consciência mental. Um bebé ou um deficiente mental não têm consciência kantiana, mas não deixam de ser sagrados. O mesmo acontece com os portadores de deficiências físicas, da trissomia até à surdez. Na Holanda e na Bélgica, quem cai na cegueira ou na depressão é convidado à desistência porque já não é autónomo ou porque tem algo incurável. Exagero? Leiam o que se passa na Holanda e Bélgica. Já não têm o luxo da negação.

E SE AJUDÁSSEMOS OS OUTROS A VIVER?

"Enquanto encararmos as nossas incapacidades como tragédias, terão pena de nós. Enquanto sentirmos vergonha de quem somos, as nossas vidas serão vistas como inúteis. Enquanto ficarmos em silêncio, serão outras pessoas a dizer-nos o que fazer” (Adolf Ratzka).
Sim, eu tenho 95% de incapacidade motora, avaliada por uma Junta Médica. Mas a minha vida nunca foi uma tragédia, apesar de todos os “tsunamis” que tive de enfrentar. A minha vida não é inútil porque sei que através dela posso ser relevante para quem acha que já perdeu a esperança. Os outros até podem dizer-me o que fazer, mas a minha liberdade individual levou sempre a melhor, ainda que “aprisionada” numa cadeira de rodas. Sabem porquê? Porque eu nunca tive vergonha de pedir ajuda, para viver. Nunca fui autónoma, mas isso não me tornou menos digna em nenhum dos dias, desde que nasci. É por isso que não posso ficar em silêncio, numa altura em que nos preocupamos em como ajudar os outros a morrer. E se ajudássemos os outros a viver?

Se calhar mais do que ser pró-vida - ao defender a vida independente e assistida e os cuidados continuados e paliativos, ao alcance de todos - sou fundamentalmente contra uma coisa: isto do ser-se “morno” e a descambar para o contraditório. Quem defende o chamado “direito a morrer com dignidade”, não me convence que é a favor da vida. A favor da vida é quem dá, se for preciso, a própria vida (e com isto quero dizer, o seu tempo, a sua entrega, dedicação, presença e atenção) aos outros. É quem ajuda os outros a viver.

Esta semana ouvi uma frase que contraria aquilo que considero óbvio: “SE eu não fizer pelos outros, quem o fará?” - basicamente o resumo de toda a vida de Jesus na terra, aquele que considero ser o maior Mestre da Inclusão, de todos os tempos. Em oposição a isto temos “o mantra da auto-ajuda” que defende: “SE eu não fizer por mim, quem o fará?”.


Achamos que estamos a ser profundamente solidários ao nos colocarmos do lado dos que dizem “sim” a ajudar alguém a acabar com o seu “sofrimento profundo”. Que acto de altruísmo este! Afinal, se não há auto-ajuda, nós damos uma mãozinha…! Pergunto: seremos nós alguma vez capazes, enquanto seres humanos limitados, de compreender o sofrimento de alguém? Seremos nós alguma vez capazes, enquanto seres humanos limitados, de decidir quando ele deve terminar?

Para aqueles que dizem que temos o direito à vida e à morte, não concordo que isto seja assim tão linear. Porque direito à vida, como eu o entendo, não foi uma decisão minha. Primeiro, existi; a seguir é que percebi que estava na vida, logo tinha o direito a vivê-la (no meu caso, prefiro considera-la um dever!), a partir do momento em que fui colocada cá. A vida é para todos uma viagem com principio, meio e fim. Agora, direito a querer morrer, a morrer de facto e a querer que me matem, são coisas totalmente diferentes.

Chamando as coisas pelos nomes: se eu quiser acabar com a minha vida, é suicídio. Se alguém acabar com a minha vida, é homicídio. O resto? Para mim está claro: o resto é um emaranhado de fios que confundem amor-próprio com egoísmo, compaixão com piedade, direitos com deveres, dor com sofrimento e o que significa realmente a tão repetida “dignidade”. Os defensores da eutanásia acham mesmo que ajudar uma pessoa a morrer é estar a fazer algo por ela? Sou obrigada a concordar: ajudar alguém a morrer é tirar-lhe a vida. É, sem eufemismos, matar essa pessoa.

Dentro de dias a agenda mediática vai falar da celebração internacional das Doenças Raras, como é a minha - e atenção que eu sou uma abençoada na minha condição de deficiente. Experimentem pesquisar sobre isso e vão ver que isto de ter uma doença rara é cada vez menos raro. Viver com uma doença terminal, também já deixou de ser raro. Raro é quem tem a capacidade de ajudar os outros a viver. Raro é quem está com o outro como uma extensão de si mesmo - como um leitor fiel e presente - em vez de ter um papel de co-autoria no fim da história. Raro é viver a vida como um milagre diário, agora e até à hora (natural) da nossa morte.

domingo, 27 de maio de 2018

EUTANÁSIA: «O insuportável é a ausência dos afetos»

«Não é a dor física que leva ao desespero, pois essa é facilmente superada pelas modernas técnicas de analgia e cuidados paliativos. O que passa todos os limites é o saber-se que muitos “adoram” o cão e o gato, mas nunca visitam a mãe ou o avô. O insuportável é a ausência dos afetos, a fragilidade das relações, o grassar da cultura do “descarte”».

Assim escreve o bispo do Porto, D. Manuel Linda, em texto publicado no semanário “Expresso” de hoje, a propósito da votação sobre a despenalização da eutanásia, marcada para terça-feira no parlamento.

«A submissão ao facilitismo representa sempre uma abdicação perante a sensatez. Pior: começa por ser um “mal que se tolera” e, de abaixamento em abaixamento, chega ao “mal que se impõe”. Até ser tido como um “bem”. É o plano inclinado onde se forma a bola de neve que nunca se sabe onde vai parar», assinala o prelado doutorado em Teologia Moral.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

CRISTÃOS, MUÇULMANOS, JUDEUS, HINDUS E BUDISTAS UNIDOS CONTRA A EUTANÁSIA

Representantes de comunidades cristãs, muçulmanas, judaicas, hindus e budistas presentes em Portugal assinaram hoje uma declaração conjunta em que rejeitam a legalização da eutanásia no país.

“Em nome da humanidade e do futuro da comunidade humana, causa da religião, sentimo-nos chamados a intervir no presente debate sobre a morte assistida, manifestando a nossa oposição à sua legalização em qualquer das suas formas, seja o suicídio assistido, seja a eutanásia”, pode ler-se no documento.

O texto ‘Cuidar até ao fim com compaixão’, uma declaração do Grupo de Trabalho Inter-religioso Religiões-Saúde, foi assinado e apresentado numa conferência que decorreu na Academia das Ciências de Lisboa.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

EUTANÁSIA, O QUE ESTÁ EM JOGO?

Com a presença da Dra. Maria Manuel Claro, tivmos ontem no Salão Paroquial de Vilar do Paraíso uma conversa sobre a Eutanásia. Em nome da liberdade e da autonomia e também da compaixão, há quem advogue o direito de apressar a morte para acabar com o sofrimento. Para isso pede-se que os médicos acedam ao pedido do doente e atuem ou cooperem para terminar com a sua vida. Será essa uma morte mais digna do que aquela que vem no fim de uma vida que se esgota naturalmente? Há outros meios de silenciar a dor e de acompanhar o doente na sua viagem final com amor e carinho, sem que se sinta um peso completamente inútil. 
 
   
Muito obrigado à Dra. Maria Manuel, que trabalho nos Cuidados Paliativos, pelas suas palavras esclarecedoras. Muito obrigado também à Pastoral da Família por nos terem proporcionado esta ocasião de reflexão.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A PASTORAL DA FAMÍLIA CONVIDA, toda a comunidade a participar

DEBATE SOBRE A EUTANÁSIA
Hoje, dia 16 de Maio às 21h30, 
no SALÃO PAROQUIAL.
Mas, fundamentalmente, o que mais deveria preocupar os dirigentes sociais é o desaparecimento da ética, estrutura estabilizadora da sociedade, com o consequente confiar ao direito toda a força da regulamentação. É que este só se impõe pela força do direito… penal. O direito é bom, mas desde que não se torne exclusivo: ao confiar-lhe a totalidade da normalização social, abdicamos da força da liberdade constituinte da pessoa em detrimento da normativa exterior e coercitiva. O que vai sempre desembocar no positivismo jurídico, isto é, na aplicação fria da normativa, sem comiseração nem contemplações, como demonstrou o recente caso da criança inglesa Alfie Evans. A eutanásia representa, portanto, um terrível abaixamento do «tónus» moral da sociedade com consequências que, a médio prazo, podem ser dramáticas.

D. Manuel Linda
http://diocese-porto.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=3683:eutanasia-pequeno-contributo-para-um-dialogo-cultural-serio&catid=153:textos-e-apresentacoes&Itemid=242

EUTANÁSIA um «retrocesso civilizacional»


O bispo de Aveiro D. António Moiteiro publicou hoje uma nota pastoral sobre o tema da eutanásia, considerando que a eventual legalização desta prática constituiria um “retrocesso civilizacional” para Portugal.“
(...)
O que deveria estar a discutir-se seriam os modos de atuar para minorar o sofrimento e a dor de quem está perante o limite e a fragilidade”

O bispo de Aveiro entende que a eutanásia, enquanto antecipação da morte, “não poderá, de modo algum, considerar-se uma resposta humanamente adequada”.

“Ela significa abandono, desistência e incapacidade de responder com o cuidado humanizado em favor de quem se encontra em situação de debilidade”.
(...)
“Depois de legalizada, a eutanásia torna-se um horizonte que atinge todos aqueles que, um dia, venham a necessitar dos cuidados de saúde. Não apenas como uma possibilidade, mas como uma tentação: a de eliminar quem passasse a sentir-se como um peso para si próprio e para os demais”.

EUTANÁSIA Perguntas e respostas


segunda-feira, 14 de maio de 2018

EUTANÁSIA: o que está em causa?

1- As questões ligadas à legalização da eutanásia e do suicídio assistido estão em discussão na Assembleia da República e na sociedade. Como contributo para esse debate, que desejamos seja em diálogo sereno e humanizador, surge esta Nota Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa sobre o que verdadeiramente está em causa[1].

2. Por eutanásia, deve entender-se «uma ação ou omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte com o objetivo de eliminar o sofrimento»[2]. A ela se pode equiparar o suicídio assistido, isto é, o ato pelo qual não se causa diretamente a morte de outrem, mas se presta auxílio para que essa pessoa ponha termo à sua própria vida.

Distinta da eutanásia é a decisão de renunciar à chamada obstinação terapêutica[3], ou seja, «a certas intervenções médicas já inadequadas à situação real do doente, porque não proporcionadas aos resultados que se poderiam esperar ou ainda porque demasiado gravosas para ele e para a sua família»[4]. «A renúncia a meios extraordinários ou desproporcionados não equivale ao suicídio ou à eutanásia; exprime, antes, a aceitação da condição humana perante a morte»[5]. É, pois, bem diferente matar e aceitar a morte. Quer a eutanásia, quer a obstinação terapêutica, constituem uma ingerência humana antinatural nesse momento-limite que é a morte: a primeira antecipa esse momento, a segunda prolonga-o de forma artificialmente inútil e penosa.

De forma sintética, podemos dizer que subjacente à legalização da eutanásia e do suicídio assistido está a pretensão de redefinir tomadas de consciência éticas e jurídicas ancestrais relativas ao respeito e à sacralidade da vida humana. Pretende-se que o mandamento de que nunca é lícito matar uma pessoa humana inocente (“Não matarás”) seja substituído por um outro, que só torna ilícito o ato de matar quando o visado quer viver. Consequentemente, intenta-se que a norma segundo a qual a vida humana é sempre merecedora de proteção, porque um bem em si mesma e porque dotada de dignidade em qualquer circunstância, seja substituída por um outro critério, segundo o qual a dignidade e valor da vida humana podem variar e podem perder-se. Ora, na nossa conceção, isto é inaceitável.

4. Para os crentes, a vida não é um objeto de que se possa dispor arbitrariamente, é um dom de Deus e uma missão a cumprir. E é no mistério da morte e ressurreição de Jesus que os cristãos encontram o sentido do sofrimento. Mas quando se discute a legislação de um Estado laico importa encontrar na razão, na lei natural e na tradição de uma sabedoria acumulada um fundamento para as opções a tomar. O valor intrínseco da vida humana em todas as suas fases e em todas as situações está profundamente enraizado na nossa cultura e tem, inegavelmente, a marca judaico-cristã. Mas não é difícil encontrar na razão universal uma sólida base para esse princípio. A Constituição Portuguesa reconhece-o ao afirmar categoricamente que «a vida humana é inviolável» (artigo 24º, nº 1).

5. A vida humana é o pressuposto de todos os direitos e de todos os bens terrenos. É também o pressuposto da autonomia e da dignidade. Por isso, não pode justificar-se a morte de uma pessoa com o consentimento desta. O homicídio não deixa de ser homicídio por ser consentido pela vítima. A inviolabilidade da vida humana não cessa com o consentimento do seu titular.

O direito à vida é indisponível, como o são outros direitos humanos fundamentais, expressão do valor objetivo da dignidade da pessoa humana. Também não podem justificar-se, mesmo com o consentimento da vítima, a escravatura, o trabalho em condições desumanas ou um atentado à saúde, por exemplo.

6. Por outro lado, nunca é absolutamente seguro que se respeita a vontade autêntica de uma pessoa que pede a eutanásia. Nunca pode haver a garantia absoluta de que o pedido de eutanásia é verdadeiramente livre, inequívoco e irreversível.

Muitas vezes, traduz um estado de espírito momentâneo, que pode ser superado, ou é fruto de estados depressivos passíveis de tratamento, ou será expressão de uma vontade de viver de outro modo (sem o sofrimento, a solidão ou a falta de amor experimentados), ou um grito de desespero de quem se sente abandonado e quer chamar a atenção dos outros. Mas não será a manifestação de uma autêntica vontade de morrer. É, pois, uma linguagem alternativa de quem pede socorro e proximidade afetiva. A dúvida há de subsistir sempre, sendo que a decisão de suprimir uma vida é a mais absolutamente irreversível de qualquer das decisões.

7. Em nome da autonomia, os que defendem a legalização da eutanásia e do suicídio assistido não chegam, por ora, ao ponto de pretender a legalização do homicídio a pedido e do auxílio ao suicídio em quaisquer circunstâncias. Pretendem apenas reconhecer a licitude da supressão da vida, quando consentida, em situações de sofrimento intolerável ou em fases terminais. Desta forma, atentam contra o princípio de que a vida humana tem sempre a mesma dignidade, em todas as suas fases e independentemente das condições externas que a rodeiam. A dignidade da vida humana deixa de ser uma qualidade intrínseca, passa a variar em grau e a depender de alguma dessas condições externas. Haveria, pois, situações em que a vida já não merece proteção (a proteção que merece na generalidade das situações), por perder dignidade.


8. Invocam os partidários da legalização da eutanásia e do suicídio assistido que, com essa legalização, se respeita, apenas, a vontade e as conceções sobre o sentido da vida e da morte, de quem solicita tais pedidos, sem tomar partido. Mas não é assim. O Estado e a ordem jurídica, ao autorizarem tal prática, estão a tomar partido, estão a confirmar que a vida permeada pelo sofrimento, ou em situações de total dependência dos outros, deixa de ter sentido e perde dignidade, pois só nessas situações seria lícito suprimi-la.

Quando um doente pede para morrer porque acha que a sua vida não tem sentido ou perdeu dignidade, ou porque lhe parece que é um peso para os outros, a resposta que os serviços de saúde, a sociedade e o Estado devem dar a esse pedido não é: «Sim, a tua vida não tem sentido, a tua vida perdeu dignidade, és um peso para os outros». Mas a resposta deve ser outra: «Não, a tua vida não perdeu sentido, não perdeu dignidade, tem valor até ao fim, tu não és peso para os outros, continuas a ter valor incomensurável para todos nós». Esta é a resposta de quem coloca todas as suas energias ao serviço dos doentes mais vulneráveis e sofredores e, por isso, mais carecidos de amor e cuidado; a primeira é a atitude simplista e anti-humana de quem não pretende implicar-se na questão do sentido da verdadeira «qualidade de vida» do próximo e embarca na solução fácil da eutanásia ou do suicídio assistido.

9. Não se elimina o sofrimento com a morte: com a morte elimina-se a vida da pessoa que sofre. O sofrimento pode ser eliminado ou debelado com os cuidados paliativos, não com a morte. E hoje, as técnicas analgésicas conseguem preservar de um sofrimento físico intolerável. Desta forma, pode afirmar-se que a eutanásia é uma forma fácil e ilusória de encarar o sofrimento, o qual só se enfrenta verdadeiramente através da medicina paliativa e do amor concreto para com quem sofre.

Como afirma Bento XVI, «a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre»[6].

Para além do círculo afetivo dos seus familiares e amigos, a dignidade de quem sofre reclama o cuidado médico proporcionado, mesmo que os atos terapêuticos e os analgésicos possam, pelo efeito secundário inerente a muitos deles, contribuir para algum encurtamento da vida. Neste caso, não se trata de eutanásia, pois o objetivo não é dar a morte, mas preservar a dignidade humana e a «santidade de vida», minimizando o sofrimento e criando as condições para a «qualidade de vida» possível.


10. A mensagem que, através da legalização da eutanásia e do suicídio assistido, assim se veicula tem graves implicações sociais, que vão para além de cada situação individual. Esta mensagem não pode deixar de ter efeitos no modo como toda a sociedade passará a encarar a doença e o sofrimento.

Há o sério risco de que a morte passe a ser encarada como resposta a estas situações, já que a solução não passaria por um esforço solidário de combate à doença e ao sofrimento, mas pela supressão da vida da pessoa doente e sofredora, pretensamente diminuída na sua dignidade. E é mais fácil e mais barato. Mas não é humano! Neste novo contexto cultural, o amor e a solidariedade para com os doentes deixarão de ser tão encorajados, como já têm alertado associações de pessoas que sofrem das doenças em questão e que se sentem, obviamente, ofendidas quando veem que a morte é apresentada como “solução” para os seus problemas. E também é natural que haja doentes, de modo particular os mais pobres e débeis, que se sintam socialmente pressionados a requerer a eutanásia, porque se sentem “a mais” ou “um peso”.

É este, sem dúvida, um perigo agravado num contexto de envelhecimento da população e de restrições financeiras dos serviços de saúde que implícita ou explicitamente se podem questionar: para quê gastar tantos recursos com doentes terminais quando as suas vidas podem ser encurtadas?


11. Não podemos ignorar que, entre nós, uma grande parte dos doentes, especialmente os mais pobres e isolados, não tem acesso aos cuidados paliativos, que são a verdadeira resposta ao seu sofrimento.

A legalização da eutanásia e do suicídio assistido contribuirá para atenuar a consciência social da importância e urgência de alterar esta situação, porque poderá ser vista como uma alternativa mais fácil e económica.

12. Com esta Nota Pastoral, apelamos à consciência dos nossos legisladores.

Mas também sabemos que uma grande percentagem dos nossos concidadãos afirma aprovar a legalização da eutanásia e do suicídio assistido. Estamos convictos de que muitos o fazem sem a consciência clara do que está verdadeiramente em causa. Daí a importância de um vasto trabalho de esclarecimento para o qual queremos dar o nosso contributo.

No Ano Jubilar da Misericórdia, recordamos que esta nos leva a ajudar a viver até ao fim. Não a matar ou a ajudar a morrer.

Fátima, 8 de março de 2016

sexta-feira, 15 de abril de 2016

SEMANÁRIO ECCLESIA - EUTANÁSIA

"Primeiro ponto consequência sociais, seria uma permanente tentação da destruição das vidas, e ia avançar se a ser o pp estado a proteger a destruição das vidas. A pouco e pouco íamos ter o ‘mundo selvagem’, como dizia Papa Pio XII. Eu tenho de defender a vida como valor máximo do ser humano e daí não tenho direito de a manipular. Pode ser manipulada pelo meu capricho, por aqueles que me assistem e a provocam. Há cerca de um século a eutanásia praticava-se em Portugal, na montanha. Há um autor, Miguel Torga, diz a certa altura a história do abafador. Quando, na família, um idoso ou doente estava a ser um grande peso chamava-se o abafador. Vinha o abafador, com uma almofada, abafava a respiração do doente e ele morria. Isto é descrito pelo Miguel Torga. A eutanásia apareceria sempre como uma solução de comodidade de quem tem o dever de assistir o doente, quer o clínico, quer o familiar, quer o Estado. O Estado aliviaria muito os seus orçamentos sem ter a preocupação de garantir a todos os doentes a capacidade de ultrapassar os seus próprios limites. Como é seu dever. O estado defende a vida dos cidadãos, não provoca a morte dos cidadãos. Isto é inadmissível, nem  na guerra, eu sou contra a pena de morte. Portanto assim sendo também não posso considerar que através da eutanásia alguém tem direito a decidir para si próprio a pena de morte. A legalização da eutanásia viria a afetar gravemente a relação médico-doente. Ela assenta num ponto-chave, a confiança e num objetivo, o serviço à vida. A medicina é para servir a vida, não é para precipitar a morte. Nunca!

Monsenhor Feytor Pinto