sábado, 19 de maio de 2018

FOLHA DOMINICAL: informações e reflexões importantes para toda a comunidade

DOMINGO DE PENTECOSTES

SALMO RESPONSORIAL Salmo 103 (104), 1ab e 24ac.29bc-30.31.34 (R. 30) 
Refrão: Enviai, Senhor, o vosso Espírito 
e renovai a face da terra. 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor. 
Senhor, meu Deus, como sois grande! 
Como são grandes, Senhor, as vossas obras! 
A terra está cheia das vossas criaturas. 

Se lhes tirais o alento, morrem 
e voltam ao pó donde vieram. 
Se mandais o vosso espírito, retomam a vida 
e renovais a face da terra.

Glória a Deus para sempre! 
Rejubile o Senhor nas suas obras. 
Grato Lhe seja o meu canto 
e eu terei alegria no Senhor. 

ORAÇÃO DO TERÇO

Quinta-feira, na Capela de S. Caetano, 
com os Acólitos
Rezamos o Terço da Paz
e meditamos os mistérios Luminosos
«Felizes os pacificadores, 
porque serão chamados filhos de Deus»

Os pacíficos são fonte de paz, constroem paz e amizade social. Àqueles que cuidam de semear a paz por todo o lado, Jesus faz-lhes uma promessa maravilhosa: «serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9). Aos discípulos, pedia-lhes que, ao chegar a uma casa, dissessem: «a paz esteja nesta casa!» (Lc 10, 5). A Palavra de Deus exorta cada crente a procurar, juntamente «com todos», a paz (cf. 2 Tim 2, 22), pois «é com a paz que uma colheita de justiça é semeada pelos obreiros da paz» (Tg 3, 18). E na nossa comunidade, se alguma vez tivermos dúvidas acerca do que se deve fazer, «procuremos aquilo que leva à paz» (Rm 14, 19), porque a unidade é superior ao conflito.[74]

JÁ CHEGA DE VIOLÊNCIA...

JORNADA DE ORAÇÃO PELA PAZ
O Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) apelou à proteção das populações no Médio Oriente e convocou para sábado uma jornada de oração pela paz.

Unimo-nos à Igreja Católica na Terra Santa para deplorar uma nova explosão de ódio e de violência, que mais uma vez está a manchar a Terra Santa de sangue”, assinala um comunicado da presidência do CCEEE, enviado hoje à Agência ECCLESIA.

O dia de oração pela paz na Terra Santa é uma proposta do administrador apostólico do Patriarcado Latino de Jerusalém, D. Pierbattista Pizzaballa.

“A presidência do CCEE, para manifestar a sua convicção que a paz e a vida humana são bens inegáveis e estão acima de todos os interesses nacionais e internacionais, convida as comunidades e indivíduos, também na Europa, a unir-se à oração da Igreja de Jerusalém”, acrescenta a nota.

Os responsáveis católicos propõem aos fiéis que no sábado, véspera da solenidade de Pentecostes, dediquem tempo à “meditação e oração pela paz e à defesa da vida, a todo o custo”.

RECITAÇÃO DO TERÇO

Na passada quarta-feira, na Capela de S. Caetano,
 Com os Ministros Extraordinários da Comunhão.
Meditação dos mistérios gloriosos, nesta Semana da Vida, tendo diante de nós a imensa necessidade que tem o nosso mundo de um testemunho de alegria e de vida, por parte daqueles que encontram em Cristo Ressuscitado a fonte da vida e doa amor, a razão para viver segundo a sua Palavra, como Maria. 

sexta-feira, 18 de maio de 2018

O CREPÚSCULO DA VIDA

Uma jornada fascinante de uma mãe com 94 anos de idade que enfrenta uma doença terminal e do filho que decide partilhar os últimos momentos da sua vida. Para o filho, o cineasta belga Sylvain Biegeleisen, revelou-se uma oportunidade incrível e maravilhosa de realizar um filme sobre a vida, cheio de emoção e humor.

As canções de Jacques Brel tocadas na guitarra, cigarros e copos de vinho misturam-se com o medo de provocar a ira do vizinho com o ruído. Não é o quarto de um estudante que procura divertir-se mas o de uma mãe de 94 anos de idade que partilha os últimos momentos de vida com o filho. Quando os médicos lhe disseram que a mãe tinha poucos dias de vida, o cineasta belga Sylvain Biegeleisen decidiu filmar esses derradeiros instantes. Para sua surpresa, os dias tornam-se meses, meses cheios de humor, compreensão e ternura. Contra todas as probabilidades, a mãe decidiu não se render ao diagnóstico pessimista do médico e, na presença mágica das câmaras, concede-nos uma extraordinária lição de vida. 

A noção de tempo perde-se na presença desta mulher brilhante. Um documentário cheio de poesia, humor e alegria sobre os últimos momentos, uma ode à Vida.
"Quando o médico me disse que a minha mãe, de 94 anos de idade, tinha apenas umas semanas de vida, deixei a minha casa e vim para a Bélgica para me despedir. Mas a minha mãe decidiu que ainda não estava na hora de partir. Partilhámos semanas e meses de incerteza e mistério. Dei por mim a filmar horas de conversas incríveis, situações divertidas e momentos poéticos. "É um grande desafio para ti", diz a minha mãe no filme. "Mas tens de o fazer de uma maneira forte. Eu construo algo de futuro, não de passado!" disse ela."
Um filme que toca milhões de pessoas que enfrentam hoje o envelhecimento e traz esperança para todos!

CRISTÃOS, MUÇULMANOS, JUDEUS, HINDUS E BUDISTAS UNIDOS CONTRA A EUTANÁSIA

Representantes de comunidades cristãs, muçulmanas, judaicas, hindus e budistas presentes em Portugal assinaram hoje uma declaração conjunta em que rejeitam a legalização da eutanásia no país.

“Em nome da humanidade e do futuro da comunidade humana, causa da religião, sentimo-nos chamados a intervir no presente debate sobre a morte assistida, manifestando a nossa oposição à sua legalização em qualquer das suas formas, seja o suicídio assistido, seja a eutanásia”, pode ler-se no documento.

O texto ‘Cuidar até ao fim com compaixão’, uma declaração do Grupo de Trabalho Inter-religioso Religiões-Saúde, foi assinado e apresentado numa conferência que decorreu na Academia das Ciências de Lisboa.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

EUTANÁSIA, O QUE ESTÁ EM JOGO?

Com a presença da Dra. Maria Manuel Claro, tivmos ontem no Salão Paroquial de Vilar do Paraíso uma conversa sobre a Eutanásia. Em nome da liberdade e da autonomia e também da compaixão, há quem advogue o direito de apressar a morte para acabar com o sofrimento. Para isso pede-se que os médicos acedam ao pedido do doente e atuem ou cooperem para terminar com a sua vida. Será essa uma morte mais digna do que aquela que vem no fim de uma vida que se esgota naturalmente? Há outros meios de silenciar a dor e de acompanhar o doente na sua viagem final com amor e carinho, sem que se sinta um peso completamente inútil. 
 
   
Muito obrigado à Dra. Maria Manuel, que trabalho nos Cuidados Paliativos, pelas suas palavras esclarecedoras. Muito obrigado também à Pastoral da Família por nos terem proporcionado esta ocasião de reflexão.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A PASTORAL DA FAMÍLIA CONVIDA, toda a comunidade a participar

DEBATE SOBRE A EUTANÁSIA
Hoje, dia 16 de Maio às 21h30, 
no SALÃO PAROQUIAL.
Mas, fundamentalmente, o que mais deveria preocupar os dirigentes sociais é o desaparecimento da ética, estrutura estabilizadora da sociedade, com o consequente confiar ao direito toda a força da regulamentação. É que este só se impõe pela força do direito… penal. O direito é bom, mas desde que não se torne exclusivo: ao confiar-lhe a totalidade da normalização social, abdicamos da força da liberdade constituinte da pessoa em detrimento da normativa exterior e coercitiva. O que vai sempre desembocar no positivismo jurídico, isto é, na aplicação fria da normativa, sem comiseração nem contemplações, como demonstrou o recente caso da criança inglesa Alfie Evans. A eutanásia representa, portanto, um terrível abaixamento do «tónus» moral da sociedade com consequências que, a médio prazo, podem ser dramáticas.

D. Manuel Linda
http://diocese-porto.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=3683:eutanasia-pequeno-contributo-para-um-dialogo-cultural-serio&catid=153:textos-e-apresentacoes&Itemid=242

EUTANÁSIA um «retrocesso civilizacional»


O bispo de Aveiro D. António Moiteiro publicou hoje uma nota pastoral sobre o tema da eutanásia, considerando que a eventual legalização desta prática constituiria um “retrocesso civilizacional” para Portugal.“
(...)
O que deveria estar a discutir-se seriam os modos de atuar para minorar o sofrimento e a dor de quem está perante o limite e a fragilidade”

O bispo de Aveiro entende que a eutanásia, enquanto antecipação da morte, “não poderá, de modo algum, considerar-se uma resposta humanamente adequada”.

“Ela significa abandono, desistência e incapacidade de responder com o cuidado humanizado em favor de quem se encontra em situação de debilidade”.
(...)
“Depois de legalizada, a eutanásia torna-se um horizonte que atinge todos aqueles que, um dia, venham a necessitar dos cuidados de saúde. Não apenas como uma possibilidade, mas como uma tentação: a de eliminar quem passasse a sentir-se como um peso para si próprio e para os demais”.

EUTANÁSIA Perguntas e respostas


terça-feira, 15 de maio de 2018

DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA

Oração

Jesus, Maria e José, em Vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor e, confiantes, a Vós nos consagramos.

Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, autênticas escolas do Evangelho e pequenas igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais haja nas famílias episódios de violência, de fechamento e divisão; e quem tiver sido ferido ou escandalizado, seja rapidamente consolado e curado.

Sagrada Família de Nazaré, fazei que todos nos tornemos conscientes do caráter sagrado e inviolável da família e da sua beleza no projeto de Deus.

Jesus, Maria e José, ouvi-nos e acolhei a nossa súplica. Amém.

Papa Francisco

RECITAÇÃO DO TERÇO

 Em 14 de Maio, o Apostolado da Oração esteve
na Capela de S. Caetano.
 E foi com muita alegria que junto da Mãe
se rezou o terço.
 Neste dia os Mistérios Gozosos
Com os textos da Exortação Apostólica 
"Alegrai-vos e Exultai" do Papa Francisco
No final, uma recordação deste dia, mas também
para marcar os 89 anos do Apostolado da Oração.
Mais uma vez PARABÉNS!

5ª TERTÚLIA dos CATEQUISTAS

15 de Maio
Encontro, Partilha e Reflexão, 21h45, no Centro Paroquial 
O CONVITE é para todos os catequistas.

CONVITE: FESTA MISSIONÁRIA

Muito em breve... a agendar! 
Os MISSIONÁRIOS DA BOA NOVA 
convidam-vos!

EM FÁTIMA COM OS MISSIONÁRIOS DA BOA NOVA

A FÁTIMA... nunca nos cansamos de ir!
OS MISSIONÁRIOS DA BOA NOVA
convidam-te a participar!

JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

 Clipe Oficial JMJ Panama 2019 |
 "Faça-se em mim a Tua Palavra"

segunda-feira, 14 de maio de 2018

17º DIA DIOCESANO DA FAMÍLIA


O programa é o seguinte:
14.00 h - Acolhimento aos jubilados
15.00 h - Acomodação dos participantes e preparação da Eucaristia
15.30 h - Concelebração Eucarística, presidida pelo bispo do Porto
Esta celebração terá lugar em GONDOMAR, no pavilhão Multiusos, localizado na Av. Multiusos, 4420-230 GONDOMAR (GPS 41.135054, -8.538209) e servido pelos STCP (linha 800, paragem Monte Crasto).

http://pastoralfamiliarporto.pt/index.htm

EUTANÁSIA: o que está em causa?

1- As questões ligadas à legalização da eutanásia e do suicídio assistido estão em discussão na Assembleia da República e na sociedade. Como contributo para esse debate, que desejamos seja em diálogo sereno e humanizador, surge esta Nota Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa sobre o que verdadeiramente está em causa[1].

2. Por eutanásia, deve entender-se «uma ação ou omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte com o objetivo de eliminar o sofrimento»[2]. A ela se pode equiparar o suicídio assistido, isto é, o ato pelo qual não se causa diretamente a morte de outrem, mas se presta auxílio para que essa pessoa ponha termo à sua própria vida.

Distinta da eutanásia é a decisão de renunciar à chamada obstinação terapêutica[3], ou seja, «a certas intervenções médicas já inadequadas à situação real do doente, porque não proporcionadas aos resultados que se poderiam esperar ou ainda porque demasiado gravosas para ele e para a sua família»[4]. «A renúncia a meios extraordinários ou desproporcionados não equivale ao suicídio ou à eutanásia; exprime, antes, a aceitação da condição humana perante a morte»[5]. É, pois, bem diferente matar e aceitar a morte. Quer a eutanásia, quer a obstinação terapêutica, constituem uma ingerência humana antinatural nesse momento-limite que é a morte: a primeira antecipa esse momento, a segunda prolonga-o de forma artificialmente inútil e penosa.

De forma sintética, podemos dizer que subjacente à legalização da eutanásia e do suicídio assistido está a pretensão de redefinir tomadas de consciência éticas e jurídicas ancestrais relativas ao respeito e à sacralidade da vida humana. Pretende-se que o mandamento de que nunca é lícito matar uma pessoa humana inocente (“Não matarás”) seja substituído por um outro, que só torna ilícito o ato de matar quando o visado quer viver. Consequentemente, intenta-se que a norma segundo a qual a vida humana é sempre merecedora de proteção, porque um bem em si mesma e porque dotada de dignidade em qualquer circunstância, seja substituída por um outro critério, segundo o qual a dignidade e valor da vida humana podem variar e podem perder-se. Ora, na nossa conceção, isto é inaceitável.

4. Para os crentes, a vida não é um objeto de que se possa dispor arbitrariamente, é um dom de Deus e uma missão a cumprir. E é no mistério da morte e ressurreição de Jesus que os cristãos encontram o sentido do sofrimento. Mas quando se discute a legislação de um Estado laico importa encontrar na razão, na lei natural e na tradição de uma sabedoria acumulada um fundamento para as opções a tomar. O valor intrínseco da vida humana em todas as suas fases e em todas as situações está profundamente enraizado na nossa cultura e tem, inegavelmente, a marca judaico-cristã. Mas não é difícil encontrar na razão universal uma sólida base para esse princípio. A Constituição Portuguesa reconhece-o ao afirmar categoricamente que «a vida humana é inviolável» (artigo 24º, nº 1).

5. A vida humana é o pressuposto de todos os direitos e de todos os bens terrenos. É também o pressuposto da autonomia e da dignidade. Por isso, não pode justificar-se a morte de uma pessoa com o consentimento desta. O homicídio não deixa de ser homicídio por ser consentido pela vítima. A inviolabilidade da vida humana não cessa com o consentimento do seu titular.

O direito à vida é indisponível, como o são outros direitos humanos fundamentais, expressão do valor objetivo da dignidade da pessoa humana. Também não podem justificar-se, mesmo com o consentimento da vítima, a escravatura, o trabalho em condições desumanas ou um atentado à saúde, por exemplo.

6. Por outro lado, nunca é absolutamente seguro que se respeita a vontade autêntica de uma pessoa que pede a eutanásia. Nunca pode haver a garantia absoluta de que o pedido de eutanásia é verdadeiramente livre, inequívoco e irreversível.

Muitas vezes, traduz um estado de espírito momentâneo, que pode ser superado, ou é fruto de estados depressivos passíveis de tratamento, ou será expressão de uma vontade de viver de outro modo (sem o sofrimento, a solidão ou a falta de amor experimentados), ou um grito de desespero de quem se sente abandonado e quer chamar a atenção dos outros. Mas não será a manifestação de uma autêntica vontade de morrer. É, pois, uma linguagem alternativa de quem pede socorro e proximidade afetiva. A dúvida há de subsistir sempre, sendo que a decisão de suprimir uma vida é a mais absolutamente irreversível de qualquer das decisões.

7. Em nome da autonomia, os que defendem a legalização da eutanásia e do suicídio assistido não chegam, por ora, ao ponto de pretender a legalização do homicídio a pedido e do auxílio ao suicídio em quaisquer circunstâncias. Pretendem apenas reconhecer a licitude da supressão da vida, quando consentida, em situações de sofrimento intolerável ou em fases terminais. Desta forma, atentam contra o princípio de que a vida humana tem sempre a mesma dignidade, em todas as suas fases e independentemente das condições externas que a rodeiam. A dignidade da vida humana deixa de ser uma qualidade intrínseca, passa a variar em grau e a depender de alguma dessas condições externas. Haveria, pois, situações em que a vida já não merece proteção (a proteção que merece na generalidade das situações), por perder dignidade.


8. Invocam os partidários da legalização da eutanásia e do suicídio assistido que, com essa legalização, se respeita, apenas, a vontade e as conceções sobre o sentido da vida e da morte, de quem solicita tais pedidos, sem tomar partido. Mas não é assim. O Estado e a ordem jurídica, ao autorizarem tal prática, estão a tomar partido, estão a confirmar que a vida permeada pelo sofrimento, ou em situações de total dependência dos outros, deixa de ter sentido e perde dignidade, pois só nessas situações seria lícito suprimi-la.

Quando um doente pede para morrer porque acha que a sua vida não tem sentido ou perdeu dignidade, ou porque lhe parece que é um peso para os outros, a resposta que os serviços de saúde, a sociedade e o Estado devem dar a esse pedido não é: «Sim, a tua vida não tem sentido, a tua vida perdeu dignidade, és um peso para os outros». Mas a resposta deve ser outra: «Não, a tua vida não perdeu sentido, não perdeu dignidade, tem valor até ao fim, tu não és peso para os outros, continuas a ter valor incomensurável para todos nós». Esta é a resposta de quem coloca todas as suas energias ao serviço dos doentes mais vulneráveis e sofredores e, por isso, mais carecidos de amor e cuidado; a primeira é a atitude simplista e anti-humana de quem não pretende implicar-se na questão do sentido da verdadeira «qualidade de vida» do próximo e embarca na solução fácil da eutanásia ou do suicídio assistido.

9. Não se elimina o sofrimento com a morte: com a morte elimina-se a vida da pessoa que sofre. O sofrimento pode ser eliminado ou debelado com os cuidados paliativos, não com a morte. E hoje, as técnicas analgésicas conseguem preservar de um sofrimento físico intolerável. Desta forma, pode afirmar-se que a eutanásia é uma forma fácil e ilusória de encarar o sofrimento, o qual só se enfrenta verdadeiramente através da medicina paliativa e do amor concreto para com quem sofre.

Como afirma Bento XVI, «a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre»[6].

Para além do círculo afetivo dos seus familiares e amigos, a dignidade de quem sofre reclama o cuidado médico proporcionado, mesmo que os atos terapêuticos e os analgésicos possam, pelo efeito secundário inerente a muitos deles, contribuir para algum encurtamento da vida. Neste caso, não se trata de eutanásia, pois o objetivo não é dar a morte, mas preservar a dignidade humana e a «santidade de vida», minimizando o sofrimento e criando as condições para a «qualidade de vida» possível.


10. A mensagem que, através da legalização da eutanásia e do suicídio assistido, assim se veicula tem graves implicações sociais, que vão para além de cada situação individual. Esta mensagem não pode deixar de ter efeitos no modo como toda a sociedade passará a encarar a doença e o sofrimento.

Há o sério risco de que a morte passe a ser encarada como resposta a estas situações, já que a solução não passaria por um esforço solidário de combate à doença e ao sofrimento, mas pela supressão da vida da pessoa doente e sofredora, pretensamente diminuída na sua dignidade. E é mais fácil e mais barato. Mas não é humano! Neste novo contexto cultural, o amor e a solidariedade para com os doentes deixarão de ser tão encorajados, como já têm alertado associações de pessoas que sofrem das doenças em questão e que se sentem, obviamente, ofendidas quando veem que a morte é apresentada como “solução” para os seus problemas. E também é natural que haja doentes, de modo particular os mais pobres e débeis, que se sintam socialmente pressionados a requerer a eutanásia, porque se sentem “a mais” ou “um peso”.

É este, sem dúvida, um perigo agravado num contexto de envelhecimento da população e de restrições financeiras dos serviços de saúde que implícita ou explicitamente se podem questionar: para quê gastar tantos recursos com doentes terminais quando as suas vidas podem ser encurtadas?


11. Não podemos ignorar que, entre nós, uma grande parte dos doentes, especialmente os mais pobres e isolados, não tem acesso aos cuidados paliativos, que são a verdadeira resposta ao seu sofrimento.

A legalização da eutanásia e do suicídio assistido contribuirá para atenuar a consciência social da importância e urgência de alterar esta situação, porque poderá ser vista como uma alternativa mais fácil e económica.

12. Com esta Nota Pastoral, apelamos à consciência dos nossos legisladores.

Mas também sabemos que uma grande percentagem dos nossos concidadãos afirma aprovar a legalização da eutanásia e do suicídio assistido. Estamos convictos de que muitos o fazem sem a consciência clara do que está verdadeiramente em causa. Daí a importância de um vasto trabalho de esclarecimento para o qual queremos dar o nosso contributo.

No Ano Jubilar da Misericórdia, recordamos que esta nos leva a ajudar a viver até ao fim. Não a matar ou a ajudar a morrer.

Fátima, 8 de março de 2016

A ASCENSÃO DE JESUS ao profundo da minha existência

Com a Ascensão (Marcos 16, 15-20) Jesus não vai para outro lugar ou para o alto, mas segue em frente e acende a sua sarça nos cantos de cada estrada. Sobe o Senhor, não ao ventre dos céus, mas ao profundo da minha existência, mais íntimo a mim do que eu próprio (cf. Santo Agostinho).
(...)

Nas tuas mãos, as suas mãos; Ele o Amor em cada amor; terra profunda das tuas raízes, céu do teu céu. Existir é coexistir, em sinergia com Cristo e para os outros.


Os apóstolos impuseram as mãos aos doentes e estes ficaram curados. Im-põe, põe as tuas mãos sobre alguém, como uma carícia, como um gesto de cura, com a arte da proximidade.
(...)
O leproso de Assis começa a curar quando Francisco o abraça; regressa homem quando é acolhido como é, ainda doente; regressa plenamente homem quando Francisco lhe impõe não só as mãos, mas o abraço, o corpo a corpo.

Se te aproximas de quem sofre e tocas, com mãos e olhos que acariciam, essa carne em que arde a dor, poderás sentir uma divina sinergia, sentir que «Deus salva, e fá-lo através das pessoas» (R. Guardini).