
I Domingo da Quaresma A
ABERTURA DO CORAÇÃO
Evangelho: Mt 4,1-11: As tentações de Jesus
1. Abre o teu coração em todos os teus sentidos
Abrir os sentidos é abrir o coração, como centro unificador da pessoa humana. Importa rasgar o coração e não as vestes! “Neste mundo líquido, é necessário voltar a falar do coração; indicar onde cada pessoa faz a própria síntese; onde os seres concretos encontram a raiz de todas as outras potências, convicções, paixões e escolhas” (Papa Francisco, Dilexit nos, 9). Jesus entra no deserto e chama-nos aí, para que Deus nos possa falar ao coração, purificar o desejo humano e ensinar que a vida não se reduz à satisfação imediata que o consumismo nos oferece, porque o nosso coração anseia por muito mais. “É necessário que todas as ações sejam colocadas sob o «controle político» do coração, que a agressividade e os desejos obsessivos sejam acalmados no bem maior que o coração lhes oferece e na força que ele tem contra os males; que a inteligência e a vontade sejam também postas ao seu serviço, sentindo e saboreando as verdades em vez de as querer dominar; que a vontade deseje o bem maior que o coração conhece, e que a imaginação e os sentimentos se deixem também moderar pelo bater do coração” (Papa Francisco, Dilexit, 13). A abertura do coração é facilitada pela prática da oração, da partilha e do jejum, como nos recorda o Evangelho da Quarta-feira de Cinzas.
Neste primeiro domingo, a partir desta semana, redescubramos, o valor do jejum, como facilitador da oração e despertador do desejo de Deus, que nenhum alimento terreno pode saciar. Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposição para ouvir Cristo e para se alimentar da sua Palavra. Por outro lado, o jejum só encontra sentido quando nos reaproxima dos outros (a privação de bens destina-se à partilha dos bens com os outros) e relança as nossas competências relacionais (mais abertos a Deus e aos outros).
Neste primeiro domingo, o jejum de Jesus no deserto pode oferecer pistas para a proposta dos diversos tipos de jejum, e literalmente, do jejum em vários sentidos: jejuar de ruídos e mensagens, para escutar melhor a Palavra (audição); jejuar de imagens (TV, telemóvel), para pôr os olhos no Senhor (visão); jejuar do comidas e bebidas (paladar), para despertar a fome e a sede de Deus e desenvolver o sentido da partilha solidária com quem jejua por necessidade; jejuar dos gestos violentos (tato).
O jejum deixa-nos indefesos, confrontados com a nossa nudez, libertando-nos da tirania das máscaras e expondo a pobreza radical que habita cada ser humano e, neste sentido, abre um fissura para Deus entrar na nossa vida.
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