CAMPANHA DE ANGARIAÇÃO DE FUNDOS PARA A SUBSTITUIÇÃO DO TELHADO DO CENTRO PAROQUIAL. CONTRIBUA PARA ESTA CAUSA PEDINDO EM QUALQUER CENTRO DE CULTO OU NO CENTRO PAROQUIAL O ENVELOPE DISPONIBILIZADO PARA O EFEITO. PODE AINDA FAZER POR DONATIVO À PARÓQUIA DE SÃO PEDRO DE VILAR DO PARAÍSO. IBAN PT50 0018 000010163256001 75 (Fábrica da Igreja Vilar do Paraíso). OBRIGADO!
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domingo, 18 de fevereiro de 2024

MENSAGEM DO BISPO DO PORTO

COM CRISTO, UM CAMINHO ALEGRE

“Subamos juntos a Jerusalém” (Mc 10, 33)

A experiência de caminhar é habitual para muitos de nós, seja em peregrinação de fé, seja em caminhada lúdica, seja em marcha desportiva. Quem se coloca a caminho parte de um ponto para chegar a outro. Iniciemos esta caminhada da quaresma em direção a Jerusalém (Páscoa) percebendo o ponto de partida e o que desejamos alcançar.

Na sua sempre crescente proximidade, Jesus indica aos Apóstolos que vão subir a Jerusalém, mas também o que lá acontecerá. Esse caminho e, sobretudo, a presença na cidade santa, não será fácil nem cómoda: “Iam a caminho, subindo para Jerusalém, e Jesus seguia à frente deles. Estavam espantados e os que seguiam estavam cheios de medo. Tomando de novo os Doze consigo, começou a dizer-lhes o que lhe ia acontecer: «Eis que subimos a Jerusalém e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos-sacerdotes e aos doutores da Lei, e eles vão condená-lo à morte e entregá-lo aos gentios. E hão de escarnecê-lo, cuspir sobre Ele, açoitá-lo e matá-lo. Mas, três dias depois, ressuscitará»” (Mc 10, 32-34).
(...)
Vivamos a Quaresma com audácia e na certeza de que Cristo caminha connosco, na alegria de sermos companheiros amigos e solidários, tendo a luz da manhã da Páscoa como horizonte no qual tem sentido a edificação de um mundo novo ou “Reino de Deus”.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

sábado, 27 de março de 2021

UMA CRUZ NAS NOSSAS CASAS

Na passada edição VP de 3 de março, o bispo do Porto propôs que os diocesanos tivessem um crucifixo em suas casas. “Convido, pois, todas as famílias cristãs da nossa Diocese a introduzirem o crucifixo nas suas casas. Este ou outro, pois a cruz ajuda-nos a elevar a mente para a luz de Deus e a cultivar a fé, a esperança e a caridade” – escreveu D. Manuel Linda.

Sobre este sinal de unidade entre todos nesta Páscoa de 2021 informamos o seguinte:

– o mail para encomendar a Cruz é : cruzpascal2021@diocese-porto.pt;

– os pedidos deverão ser prioritariamente feitos aos párocos, em cada paróquia;

– quem pretender encomendar diretamente deve usar unicamente o mail cruzpascal2021@diocese-porto.pt, com a identificação da pessoa que pede, bem como o número de crucifixos que pretende reservar. Serão, posteriormente, contactados para levantamento;

– embora já estejam a ser fabricados e alguns estejam nas paróquias no dia de Páscoa, aceitam-se as reservas por email até ao dia 4 de abril. Conta-se poder entregá-los todos até finais de abril;

– dado que se pretende que o crucifixo seja, antes de tudo e neste ano de pandemia, expressão da unidade diocesana e “sinal” do Amor de Deus “explicado” na Cruz de Jesus Cristo, para ser colocado nas casas de família, contamos que o contributo de 10 euros possa suportar todos os custos;

– o contributo para as despesas com o crucifixo será entregue no levantamento. O local, será a paróquia e, para as encomendas por email, a Casa Episcopal, no Terreiro da Sé.

https://www.diocese-porto.pt/pt/noticias/not%C3%ADcias/p%C3%A1scoa-2021-uma-cruz-nas-nossas-casas/

quinta-feira, 11 de março de 2021

“CULTIVAR A FÉ, A ESPERANÇA E A CARIDADE”

DA CRUZ À LUZ

Uma das coisas que mais chamam a atenção em casas de famílias crentes é que, por vezes, encontramos belas esculturas ou quadros a dar-nos as boas-vindas, mas… nenhum sinal cristão. E os símbolos constituem uma linguagem que revelam a nossa identidade mais profunda.

Além disso, a nossa Diocese do Porto anda a viver um plano pastoral que foi formulado com a conhecida expressão bíblica: “Como os ramos na videira”. Neste ano, em concreto, especificámo-la no lema: “Todos família, todos irmãos”. Ora, será muito difícil assumir a fraternidade se não participarmos todos da mesma seiva daquela «videira» onde se inserem os ramos: Jesus Cristo.

Por este motivo, pareceu-nos conveniente lançar uma forte campanha para que todas as «Igrejas domésticas», todas as famílias crentes, concedam um lugar de destaque a um símbolo cristão no interior das suas casas. E o principal, para nós, é a cruz, verdadeira “árvore da vida”. Pedimos, pois, ao escultor Bruno Marques que idealizasse um crucifico à base de três ideias principais: arte, abertura para a ressurreição e preço acessível a todas as famílias.

É esta cruz, identificada com o brasão da nossa Diocese e com a frase-síntese do plano pastoral que gostaríamos de ver em todas as casas. Até como forma de assinalar este período obscuro das nossas vidas – o tempo de pandemia – do qual jamais nos esqueceremos: se nós sofremos tanto com ele, quanto mais o Senhor sofreu por nós!

Convido, pois, todas as famílias cristãs da nossa Diocese a introduzirem o crucifixo nas suas casas. Este ou outro, pois a cruz ajuda-nos a elevar a mente para a luz de Deus e a cultivar a fé, a esperança e a caridade. E peço-lhes que ajudem as outras famílias a fazerem o mesmo. Também isto é apostolado.

+ Manuel, Bispo do Porto

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

CELEBRAR A QUARESMA ENTRE A DOER E A ESPERANÇA

Aos Sacerdotes e Diáconos

E a todo o Povo de Deus da Diocese do Porto

Pelo segundo ano consecutivo, celebraremos o ponto mais alto do ano litúrgico de forma absolutamente estranha. E isso faz-nos sofrer. Mas pensemos nas inúmeras vezes que tal terá acontecido ao longo da história, devido às guerras, perseguições e calamidades naturais como esta da Covid-19. Sendo previsível que as coisas melhorarão ainda no decurso deste ano, temos muitas graças a dar a Deus porque, não obstante a dureza a que estamos submetidos, já antevemos o tempo novo, mais solidário e mais verdadeiramente familiar, que se seguirá à atual provação. O que nos motiva uma justificada esperança. E uma abertura à plenitude da salvação, tal como o mistério pascal: a dor experimentada pelo Senhor Jesus conduziu à glória da ressurreição e à felicidade do reino de Deus.

Mesmo nestas circunstâncias e por causa delas, não deixaremos de viver a quaresma de forma muito intensa. Aliás, a impossibilidade de fazermos as rotinas de sempre até nos pode ajudar a uma maior interiorização dos acontecimentos salvíficos que a motivam. Para isso, deixo as orientações seguintes.

1 A nossa Equipa de Coordenação Pastoral já disponibilizou belas ideias e materiais para ajudar a viver a quaresma em contexto de família, verdadeira e insubstituível "Igreja doméstica". Peço encarecidamente se preste muita atenção a essas sugestões. Reze-se em conjunto e contacte-se mais com a Palavra de Deus, se possível no "cantinho de oração", espaço da identidade crente da família, visualmente expressa numa cruz e nunca "arca da aliança".

2 Inerente à quaresma, esteve sempre "um plano de privação (de jejum e abstinência)", como refere a mesma Equipa. Isso possui um duplo significado: é uma forma de interiorizarmos e agradecermos a Jesus, que tanto sofreu por nós, e nos dispormos à conversão; e um meio de sairmos do nosso habitual comodismo para fazermos nossas as dores e as carências dos outros, pois, numa mentalidade cristã, um dom recebido deveria ser sempre um dom partilhado.

3 Designamos essa partilha fraterna como "renúncia quaresmal". É algo intimamente associado a este tempo. Escutados os habituais órgãos de consulta, decidi que, o produto deste ano seja distribuído pelos seguintes destinos: Cáritas Diocesana do Porto e Fundo Social. A Cáritas, habitualmente designada como "mão caridosa do bispo", está presente em toda a Diocese quer incentivando a prática do amor fraterno, quer minimizado os sofrimentos pela dádiva de géneros alimentícios e de roupas, materiais ortopédicos e para doentes acamados, apoio médico e de enfermagem, etc. Faz uma obra tão notável como escondida. O Fundo Social destina-se a socorrer situações de emergência que, infelizmente, sempre surgem em Portugal e no estrangeiro. Que nenhuma Paróquia e nenhum cristão deixe de partilhar o pouco ou o muito que Deus lhe vai dando.

4 Sendo os bispos os primeiros responsáveis pela fé, este ano, eu mesmo e os senhores bispos auxiliares, vamos orientar pequenas reflexões ao longo de toda a quaresma. Será às sextas-feiras, dia que especialmente nos lembra a morte do Senhor, às 21h30. Tentaremos usar uma linguagem muito simples, a jeito de uma conversa de família e não no sentido das tradicionais "conferências". Serão transmitidas pelo canal da Diocese e, possivelmente, também pelas redes sociais das Paróquias. Convido todos os cristãos diocesanos a unirmo-nos nesta formação da fé.

5 A Igreja que formamos é essencialmente de base doméstica. Muito antes de passarmos à paróquia a «responsabilidade» de transmitir, formar e celebrar a fé e de incentivar um estilo de vida com ela consequente, o Novo Testamento está cheio de referências à forma como as famílias assumiam essas mesmas tarefas na sua própria casa. Temos de voltar a isso! Não por saudosismo, mas porque a interligação casa-paróquia está mesmo na base histórica do ser cristão. Por isso, não mais paróquia sem relação familiar nem família crente sem compromisso na paróquia. Na Páscoa do ano passado apresentei algumas características desta Igreja de base doméstica que gostava de recordar novamente: uma Igreja «familiar», reunida, unida, santificada, caritativa e de esperança. Esforcemo-nos por viver estas dimensões.

No No livro do Apocalipse, há uma frase que conhecemos de cor: "Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo" (3, 20). Que esta quaresma de 2021 nos prepare para a «abertura da porta» a este Deus que quer fazer família connosco e a Quem nós barramos a entrada, tantas vezes, pelas distrações da vida e por algum materialismo da existência. Empenhemo-nos mesmo no caminho da conversão, dando mais espaço a Deus, à família e aos outros.

Porto, 12 de fevereiro de 2021

O vosso Bispo e irmão,

+ Manuel Linda

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

CARTA AOS DOENTES E AOS QUE CUIDAM DELES

 Irmã e irmão doente,
um dos pontos de honra da Igreja é reconhecer a todos uma igual dignidade. Para nós, não há importantes e descartáveis, valiosos a promover e desprezíveis a rejeitar, como faz uma certa cultura e determinados setores que a adotam. E se reconhecemos essa igual importância, dedicamos especial esforço a «promover» aqueles a quem as circunstâncias da vida colocaram em situação de maior fragilidade.

Por isto, para além de tudo o que os nossos organismos fazem pelos mais débeis, a Igreja criou uma data que vos é especificamente dirigida: o Dia Mundial do Doente, celebrado a 11 de fevereiro. Não é só para vos «lembrar», pois temo-vos presentes na nossa mente todos os dias do ano. Criamos o «Dia» para recordar que a doença faz parte da nossa natureza biológica, que todos somos reais ou potenciais doentes, que as pessoas se humanizam quando fazem suas as dores dos outros, que a condição humana é a de cuidar, enfim, que a cura acontece com muito saber humano e recurso a muitas técnicas, mas com não menor dedicação, empatia e carinho.

Por isso, com esta jornada, pensamos em vós e em todos. A vós, desejamos pronta recuperação, muito ânimo e muita esperança, conforto e acompanhamento solícito por parte daqueles que fazem parte do vosso leque de relações, especialmente a família direta. E se sois crentes, que tomeis consciência de que é com sacrifício que acontecem as grandes realizações humanas, que ofereçais as vossas dores como direta participação na obra redentora de Cristo, que façais oração a partir do sofrimento.

À sociedade, em geral, e aos que trabalham no setor da saúde, em particular, queremos agradecer a solicitude e o muito que já realizou para minimizar a dor e fomentar o que se convencionou chamar “qualidade de vida”. Contudo, também pedimos que não se desista de conseguir mais. Mais em tudo: nos recursos humanos e materiais, no aperfeiçoamento do sistema, no investimento prioritário, etc. Mas, fundamentalmente, na humanização, na ternura, na consciência global de que a saúde é o estado de bem-estar completo, no qual não podem estar ausentes as dimensões relacionais, afetivas, éticas, espirituais e religiosas.

Enfim, que todos se convençam que jamais haverá efetiva “qualidade de vida” sem a crença e a promoção de uma real “santidade de vida”. Só assumindo esta se encontra motivação para fazer o que houver a fazer pela outra. E, infelizmente, não são muitos os que descobrem isto, como se confirmou há poucos dias.

Rezo por vós e invoco de Deus a sua bênção sanante. Rezai também por mim.

Vosso bispo e irmão,

+ Manuel, Bispo do Porto

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

NOTA PASTORAL DE D. MANUEL LINDA

 CATEQUESE

"Deveremos ter como referência orientadora (não cega) os procedimentos da Escola, em todos os seus níveis. Deverá ser objetivo irrenunciável: a catequese não vai parar! Reforçar o apoio missionário, afetivo, formativo e logístico aos catequistas e, porventura, tentar aumentar o seu número. Tenha-se como referência o documento do Secretariado Nacional de Educação Cristã “Orientações para catequese em tempos de pandemia”. Aproveitar a circunstância para envolver mais os pais. Se se julgar conveniente, poder-se-ia propor não haver catequese presencial todas as semanas e continuá-la, porventura diariamente, no tempo de férias escolares que coincidem com os tempos fortes da liturgia e da vivência dos mistérios centrais da nossa fé. Caso a caso, poderão ser repensadas as festas, os modos e os prazos da Primeira Comunhão e Profissão de Fé. Uma questão para os vários setores implicados: como poderá ser minorada a ausência da participação na Eucaristia dominical? No mínimo, deve realizar-se uma sessão de catequese mensal, antecedida ou seguida da Missa."

D. Manuel Linda

NOTA PASTORAL - VIVER, CELEBRAR E CULTIVAR A FÉ EM TEMPO DE PANDEMIA


 Viver, Celebrar E Cultivar A Fé Em Tempo De Pandemia
Aos Sacerdotes e aos Diáconos,
Aos Responsáveis das Associações, Movimentos e Obras
E a todos os Fiéis Leigos da Diocese do Porto

Para além de outros efeitos nefastos, a atual pandemia de Covid-19 não só não nos permite programar o futuro com alguma clarividência como nos abriga a uma prudência acrescida, pois as informações nem sempre são as mais otimistas. Uma coisa é certa: na Europa, em geral, e entre nós, em concreto, a transmissão do vírus está em aumento assustador e os técnicos falam já num outono/inverno fortemente problemáticos. E, evidentemente, queremos ser parte da solução e não do problema.

Por outro lado, no que a nós diz respeito, a vivência, formação e celebração da fé não está sujeita a épocas favoráveis ou inoportunas nem é compatível com intervalos: é para sempre e qualquer circunstância. Por isso mesmo, é necessário, por parte de todos nós (bispos, sacerdotes, diáconos, responsáveis pelos diversos setores de apostolado e leigos em geral), um esforço para encontrar, em cada ambiente e em cada circunstância, a atitude e a resposta pastoral mais adequada. É que, se a pandemia é muito séria, a efetiva presença pastoral missionária da Igreja (diocese, paróquias, capelanias, serviços, movimentos) não é menos séria e não se pode sujeitar à oscilação das condições de qualquer género.

Rezamos e esperamos que Deus nos conceda a graça de pôr cobro à pandemia, porventura por intermédio de vacinas que se aguardam ansiosamente. Mas tudo parece indicar que a tão referida «imunidade de grupo» ou vacinação em massa não aconteçam antes do final do primeiro trimestre de 2021. Vamos, portanto, colocar como referência a próxima Páscoa que esperamos já poder celebrar com toda a alegria e liberdade. De momento, temos que ir até onde pudermos ir, mas sempre com a preocupação de não ultrapassar os limites da prudência e da legalidade.

Assim sendo, após consulta e com o contributo dos senhores Bispos Auxiliares, apresento alguns princípios básicos orientadores, sem a pretensão de estabelecer regras gerais a aplicar cegamente. As normas das autoridades de Saúde e as que a Conferência Episcopal Portuguesa já formulou são para ter sempre como referência, mormente no que diz respeito ao uso de máscaras, distância social, arejamento dos espaços, desinfeções, etc. Tudo isso deve ser levado muito a sério, pelo menos até outras orientações a que as circunstâncias nos permitam ou nos obriguem.

Tendo isto presente, eis alguns âmbitos a considerar.

1. Catequese. Deveremos ter como referência orientadora (não cega) os procedimentos da Escola, em todos os seus níveis. Deverá ser objetivo irrenunciável: a catequese não vai parar! Reforçar o apoio missionário, afetivo, formativo e logístico aos catequistas e, porventura, tentar aumentar o seu número. Tenha-se como referência o documento do Secretariado Nacional de Educação Cristã “Orientações para catequese em tempos de pandemia”. Aproveitar a circunstância para envolver mais os pais. Se se julgar conveniente, poder-se-ia propor não haver catequese presencial todas as semanas e continuá-la, porventura diariamente, no tempo de férias escolares que coincidem com os tempos fortes da liturgia e da vivência dos mistérios centrais da nossa fé. Caso a caso, poderão ser repensadas as festas, os modos e os prazos da Primeira Comunhão e Profissão de Fé. Uma questão para os vários setores implicados: como poderá ser minorada a ausência da participação na Eucaristia dominical? No mínimo, deve realizar-se uma sessão de catequese mensal, antecedida ou seguida da Missa.

2. Confissões. Não podemos retrair a disponibilidade para este atendimento sacramental. Suposta esta disponibilidade, será viável encontrar espaços e condições em que se cumpram a distância necessária e a discrição imprescindível. Se existirem condições para isso, pode-se usar uma sala arejada com acrílico entre o confessor e o penitente.

3. Crismas. Veja-se se é possível encontrar modos de recuperar os Crismas adiados e de os realizar até ao fim do ano civil. Depois se verá! Nesse caso, seria necessário dividir os grupos e multiplicar as celebrações: sextas à noite, sábados de manhã e de tarde, domingos à tarde. Será necessário limitar as presenças aos crismandos, padrinhos, pais, e catequistas. Embora a grande regra seja a capacidade do local onde vão ser celebrados, de forma geral, pode colocar-se como referência o número de cerca de vinte crismandos por celebração. Quer isto dizer que, temporariamente, suspendemos a norma dos Crismas vicariais e passarão a ser, na sua maioria, paroquiais. Entretanto, se o número de crismandos for reduzido, devem associar-se várias Paróquias, particularmente se confiadas ao cuidado pastoral do mesmo Pároco.

4. Visitas pastorais. Em princípio, suspendem-se. Porém, a juízo dos Párocos e das Vigararias, não é de excluir a possibilidade de levar por diante as que estavam programadas. Neste caso, evitar-se-iam as grandes aglomerações de pessoas e centrar-se-iam em âmbitos específicos: tempo passado com o Pároco e eventual Diácono Permanente para consideração sobre as condições socioeconómicas, pastorais e outras; avaliação do cartório, registos e dignidade dos espaços litúrgicos; reunião com setores muito restritos, tais como Conselho Económico Paroquial, Catequistas, crismandos, Leitores, Acólitos e Ministros Extraordinários da Comunhão; celebração do Crisma.

5. Sacerdotes idosos ou de risco. Os Vigários deverão identificar estas situações e sugerir aos visados prudentes substituições. Sempre e só como sugestão. Porventura, poderiam ser substituídos pelos Diáconos Permanentes colocados nessa Paróquia ou mesmo pelos da zona. Mas que ninguém se sinta marginalizado. Quando, nessa região, não se encontrarem Diáconos Permanentes disponíveis, pode-se pedir o contributo (ocasional e temporário) de algum Ministro Extraordinário da Comunhão idóneo e especificamente formado para essa função. Se as circunstâncias assim obrigarem, pode, inclusivamente, presidir a uma Assembleia Dominical na Ausência do Presbítero, seguindo o ritual editado pela Conferência Episcopal Portuguesa. A “homilia” poderá ser lida a partir de algum bom texto disponível. Mas que não haja nenhuma Paróquia sem a celebração do Domingo: Missa, na forma habitual, ou, excecionalmente, Assembleia Dominical na Ausência do Presbítero. Se alguma comunidade paroquial ficasse privada, por longo tempo, da celebração da Eucaristia, o Vigário da Vara, com o respetivo pároco, providenciariam que algum sacerdote pudesse ir aí, de tempos a tempos, celebrar a Eucaristia e renovar a sagrada reserva.

6. Centros de culto de pequenas dimensões. Com bom tempo, a alternativa podem ser as “missas campais”; no inverno, utilizar salões paroquiais ou providenciar espaços civis adequados.

7. Comunhão aos doentes. Cumpridas todas as normas de segurança, não se esqueça este âmbito da pastoral confiado, primordialmente, aos Ministros Extraordinários da Comunhão.

8. Reuniões. Sejam as diocesanas, sejam as paroquiais, alternar, como já se tem feito, o presencial com o virtual. Ou mesmo ficar só neste, se as circunstâncias o aconselharem.

9. Reuniões de Vigararia. O ideal seria que fossem presenciais. Mas as conjunturas é que determinarão a modalidade. Deverá procurar-se, na medida do possível, que os que não podem ou não devem ir possam participar virtualmente. No mínimo, deverão ter acesso rápido a informação circunstanciada do teor da reunião.

10. Ofertórios consignados. Sabemos bem da penúria geral, particularmente de muitas Paróquias. Não obstante, sem insistir muito, todos eles devem ser lembrados. Também eles representam uma forma de abertura e sintonia com uma Igreja que não é «paroquial», mas católica.

*****

Aproveito esta oportunidade para, mais uma vez, felicitar vivamente os agentes de pastoral desta nossa Diocese do Porto, com lógico destaque para os Párocos, Reitores, Capelães e Diáconos, pela forma absolutamente brilhante como têm respondido à crise da pandemia, com frequentes sacrifícios pessoais: seja na presença junto do seu povo, com forte e serena inovação, para que nunca lhe falte o ânimo, os sacramentos e os ritos religiosos; seja no empenho para minorar o sofrimento de tantos, mormente a nível dos Centros Sociais Paroquiais e estruturas similares. O mesmo poderia dizer a respeito do grande exemplo no cumprimento das normas de segurança, por vezes até com notório exagero. Bem-hajam! Continuaremos com igual determinação e afinco.

Esta epidemia é a primeira –e certamente será a única, se Deus quiser- que nos é dado sofrer. Mas, por esse mundo fora, há milhões e milhões que passaram por momentos ainda mais dramáticos. Pensemos nas atrocidades das guerras e nos regimes políticos que executaram extermínios em massa. E tudo isso passou, graças a Deus. Pois, o Covid-19, como todos os males, também passará. Até porque Deus está presente na história da humanidade e faz dela uma história de salvação. De muitos modos e por vários meios. Mas, agora, particularmente pela ciência e pelas tecnologias aplicadas ao bem. Para mais, já sabemos como se transmite o contágio, ao passo que, por exemplo, numa guerra, nunca se sabe quando uma bomba atinge as pessoas. Por isso, temos capacidade de «defesa» muitíssimo superior àquela que tantos experimentam em situação de conflito causado pela malvadez humana. Basta que não abrademos a vigilância.

Como tantas vezes pede o Papa Francisco, que esta situação nos obrigue a repensar mais a relação do homem com a natureza, a edificarmos uma civilização mais justa a nível planetário, a sermos mais solidários e afetivos para com os débeis, a exigir do Estado que respeite e acarinhe as boas iniciativas sociais, a colocar a economia ao serviço do bem comum, a revalorizar os laços inultrapassáveis da família unida e indissolúvel, a privilegiar o essencial em detrimento do acessório. E, de maneira fundamental, a reconhecer a nossa fragilidade estrutural e consequente necessidade do Deus da misericórdia e do amor. Até porque, como diria São Paulo, “é na nossa fraqueza que se manifesta a força de Cristo” (2 Cor 12, 10).

É esta força sanante e compadecida que pedimos por intermédio da Bem-aventurada Virgem Maria para esta sua “Diocese de coração”.

Porto, 28 de agosto de 2020

+ Manuel, Bispo do Porto

segunda-feira, 6 de julho de 2020

PLANO PASTORAL 2020/2021

Caros fiéis em Cristo desta nossa Diocese do Porto:

Aquando da avaliação do anterior projeto pastoral, há mais de um ano, várias pessoas chamaram a atenção para a necessidade de os planos não se circunscreverem a apenas um ano, mas abrangerem um espaço de tempo mais longo. Curiosamente, a situação de pandemia que vivemos acabou por confirmar a sensatez desta visão: não só não permitiu que o ano pastoral se desenrolasse como previsto, como possibilitou um enriquecimento de proximidade de comunicação e uma evangelização de tal modo «personalizada» que seria mal-empregado não prosseguir.

Então, não podemos perder esta dinâmica que as circunstâncias potenciaram. Se a elas acrescentarmos uma verdadeira reequação da dimensão «doméstica» da Igreja e o facto de se modificarem alguns pressupostos que ditaram a idealização do nosso plano pastoral – alteração das datas da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e mesmo do Congresso Eucarístico Internacional e do Encontro Mundial de Famílias – parece oportuno insistir, durante mais tempo, na nossa condição cristã, a partir de Deus Pai que nos chama a fazer parte da sua família, por intermédio do Batismo.

Decidiu-se, pois, prolongar, em 2020/21, a mesma temática iniciada em 2019/20. Continua válido tudo o que então se referiu e se projetou. Não obstante, acrescentam-se novas tonalidades, nascidas das avaliações que, entretanto, se fizeram e das gratificantes descobertas que este tempo nos proporcionou.

Seja-me permitido acentuar a necessidade de não esquecermos a Pessoa divina do Pai. No princípio de tudo não está o Batismo. Está o Pai, que nos chama a tomar parte na plenitude da sua vida e nos convida a entrar na sua família, como filhos adotivos. E esta temática interliga-se perfeitamente com a dimensão «doméstica» da Igreja: da mesma forma que a família constitui o «porto de abrigo», o lugar da corresponsabilidade e da partilha, assim a Igreja, família de famílias, é a grande casa comum onde os filhos de Deus experimentam a alegria do encontro de todos os seus membros e a preocupação de uns pelos outros, pois todos se alimentam da mesma seiva da graça, “como os ramos na videira”.

Seja este um ano fecundo na tomada de consciência de que nada nem ninguém substitui a família enquanto destinatária da solicitude amorosa do Pai que a convida à sua intimidade. Mas, igualmente, de que ela é o sujeito mais ativo e a primeira protagonista na evangelização dos seus membros, como a longa história da Igreja o demonstra.

O vosso bispo e irmão,

+ Manuel Linda

sábado, 20 de junho de 2020

BISPO DO PORTO EXORTA SACERDOTES A CONSTITUÍREM UMA “DIOCESE DO CORAÇÃO”

(...)
Sabemos que o sacerdócio em que estamos investidos não é fruto do nosso esforço, resultado automático de um curso académico que nos capacita para um qualquer «emprego». O sacerdócio é dom e muito mais que um simples dom vulgar: é uma espécie de simbiose que o Senhor estabelecer connosco e, como tal, nos transforma num alter Christus, um prolongamento do seu «sumo e eterno sacerdócio» (cf Hb 7, 20). É o intuído já na primeira leitura, do Livro do Deuteronómio: “Se o Senhor Se prendeu a ti […] foi porque te ama” (Dt 7, 7-8). Sim, o Senhor “prendeu-Se” a nós para dar firmeza à nossa condição de “vaso de barro” (2Cor 4, 7) e, por nosso intermédio, exercer o seu sacerdócio em favor de todo o povo.

É forte a expressão “o Senhor prendeu-se a ti”. Dá a ideia que Ele como que depende de nós. Mas não é de espantar. A mesma leitura fornece a chave de interpretação: o povo escolhido é aquele sobre o qual repousa o amor de Deus. E o amor, quando é puro, leva ao serviço do outro e não ao seu domínio. Leva ao prendimento. De alguma forma, é quanto exprime o refrão do salmo responsorial: “A bondade do Senhor permanece eternamente sobre aqueles que O amam”.

Porém, como se afirma na segunda leitura, implícita nesta afirmação está também uma tarefa, comum a todos os crentes, mas como que identitária da essência do sacerdote: fazer com que todos descubram, assimilem e vivam a fonte do amor verdadeiro, que é Deus, pois “Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele” (1Jo 4, 16). Eis aqui o mistério dos mistérios, para cuja função entra o sacerdócio cristão como des-velador ou des-vendador –o que retira as vendas dos olhos que não deixam ver- para que a humanidade “encontre descanso” no suave jugo do amor de Deus, descobrindo-O em Jesus Cristo, já que “ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11, 27), como nos garante o Evangelho.

Senhores Padres, se quiséssemos sintetizar toda esta doutrina poderíamos dizer somente: Deus ama-nos e quer que todos saboreiem este amor. É para onde nos remete a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. E quando a Igreja, a partir do Papa São João Paulo II, a associou ao clero e à sua sempre necessária santificação, quer lembrar-nos que a redenção do mundo, da qual somos co-participantes indispensáveis, é uma obra de amor que vive do amor e aponta para o amor. Por isso, aí está o Coração de Jesus, como grande símbolo, simultaneamente, do amor e do sacerdócio.

Ora, constituímos aquela que poderíamos definir como “Diocese do coração” e, consequentemente, do amor. Um leigo, o rei D. Pedro IV, quis que o seu coração repousasse para sempre na igreja onde ia à Missa e a outros atos religiosos; uma freira que fixou residência nesta cidade, a Beata Maria Droste –tão devota deste mistério que até mudou o nome para Maria do Divino Coração- a partir daqui, obteve do Papa Leão XIII a consagração do mundo ao Sagrado Coração de Jesus, acontecimento que o mesmo Papa definiu como “o ato mais importante do meu pontificado”; o Venerável Padre Américo Aguiar é habitualmente definido como um “homem de coração grande e generoso” e, por isso, saiu de si para ir ao encontro dos que mais precisavam, o que ficou na memória perene da região e do país; e o meu direto antecessor, o senhor D. António Francisco dos Santos, era um bispo de tal afetividade que o coração se tornava pequeno para alimentar tanta simpatia e, por isso, teve de prescindir dele. O mesmo poderia dizer do Venerável D. António Barroso e de tantos outros. Um leigo, uma religiosa, um padre e um bispo: eis uma espécie de representação da diversidade do povo de Deus desta Diocese, a tal “Diocese do coração”.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

TEMPO SOLIDÁRIO

A pedido do Presidente da Câmara do Porto, a Diocese disponibilizou o Seminário de Vilar (cerca de 150 camas) para isolamento após rastreio. Aproveito para felicitar os autarcas da área da Diocese pelo extraordinário empenho na luta contra o coronavírus. Parabéns!
D. Manuel Linda
Imagem:Internet

segunda-feira, 9 de março de 2020

DIOCESE DO PORTO

Nota Episcopal - Ao Clero Das Vigararias De Lousada E Felgueiras
   
Acabo de ser contactado pelo Presidente da Administração Regional de Saúde do Norte que me pede colaboração para ajudar a circunscrever o coronavírus, já que o foco de irradiação parece ter surgido nessa zona. Os dados obtidos neste contacto levam-me a tomar as seguintes atitudes para todas as Paróquias, Reitorias e Capelanias das Vigararias de Lousada e Felgueiras:

Suspender todas as Missas e devoções populares até ao meio dia do próximo sábado.
A administração dos outros sacramentos será feita apenas em caso de urgência e para o menor número possível de pessoas.
No caso específico dos funerais, tente-se celebrá-los exclusivamente com a presença dos familiares diretos. Em qualquer circunstância, alerte-se os participantes que não devem exprimir os pêsames ou sentimentos mediante abraços, beijos ou afagos.
A conveniência da celebração ou não das Missas «de preceito» no próximo sábado e Domingo dependerá da evolução que se verifique ao longo da semana.
A respeito do ponto anterior, tentar-se-á transmitir novas informações, logo que existam. Se não se verificarem, cada sacerdote ajuizará, prudentemente, sobre a conveniência ou não dessas celebrações.
Embora a transmissão televisiva nunca supra a presença na comunidade orante que participa na Eucaristia, enquanto se mantiver este perigo da saúde pública, aconselho os fiéis das Vigararias de Lousada e Felgueiras que assistam à transmissão da Missa dominical, com todo o respeito e atenção, manifestando, assim, plena comunhão com a Igreja que celebra o memorial do Domingo e a sua «Páscoa semanal» neste Dia do Senhor.
Em tudo o resto, remeto para a Nota Pastoral que difundi há pouco, concretamente o que se refere à catequese.

Porto, 9 de março de 2020

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

QUARTA-FEIRA DA SEMANA III DO ADVENTO

EVANGELHO Mt 1, 18-25
Jesus nascerá de Maria, desposada com José, filho de David
(...)
Rezar a palavra
Conhecer a tua vontade e saber que és o Deus que vem ao meu encontro exige de mim uma resposta como a de José. A vida mostra-me tantas situações que classifico de impossíveis, limitadoras, destruidoras da minha vontade de responder com grandeza de alma e generosidade. Na tua Palavra mostras que nada acontece por acaso. Em todas as coisas se oculta a presença do teu Espírito que faz acontecer a vida e vida que é salvação para mim e para todos.

Compromisso
Não posso continuar de olhos fechados perante a ação do Espírito na minha vida.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

CRITÉRIOS

O bárbaro assassinato da Irmã Maria Antónia, em São João da Madeira, está a ter uma repercussão internacional fora do comum. Fundamentalmente, porque a Agência Fides, das Pontifícias Obras Missionárias, do Vaticano, deu a notícia de forma muito detalhada.

No mínimo, o martírio da «Irmã Tona» tem muito de paralelo com tantas mulheres, de todas as idades, que, na defesa da sua honra e dignidade, acabaram por pagar com a vida a resistência ao agressor depravado. Muitas foram mesmo declaradas beatas e santas. E este caso concreto obriga-nos a alguma reflexão social que sintetizo em três pontos.

Primeiro: se bem que, por natureza, todos sejamos “imagem e semelhança de Deus”, de facto, no comportamento, há verdadeiros monstros. Não sei se por culpa própria, isto é, se agem em liberdade, ou se sem responsabilidade moral, no caso das patologias mais graves. Seja como for, a sociedade tem a obrigação de os curar, se tal for possível, ou, no mínimo, de proteger os mais vulneráveis da sua ação devastadora. Neste caso concreto, não sei se se fez isso. Não sei se as prisões são centros de recuperação ou «escolas do crime requintado». Não sei.

Segundo: o sistema judiciário falhou redondamente. A dar crédito aos jornais, foi preciso duas tentativas (?) de violação, a juntar aos antecedentes criminais, para se emitir um mandado de captura do malfeitor. E a execução deste demorou tanto que, para a Irmã Antónia… já não foi a tempo. Alguém tem de ser responsabilizado por isto. Se é pouco previsível que o sistema judicial seja «chamado à pedra», pelo menos moralmente algumas pessoas hão de sentir-se culpadas pelo homicídio da religiosa.

Terceiro: com honrosa exceção da Câmara Municipal de São João da Madeira, nenhum político, nenhum (e nenhuma…) deputado desses radicais, nenhum organismo que diz defender os direitos humanos, nenhuma feminista veio condenar o ato. Nenhum e nenhuma! Porquê? Porventura porque, para elas (e para eles…) as vidas perdem valor se se tratar de pessoas afetas à Igreja. Sumamente, se defenderem a sua honra.

Critérios… Que, obviamente, não são os meus.

quinta-feira, 7 de março de 2019

QUARESMA 2019 - MENSAGEM DE D. MANUEL LINDA

Bispo do Porto destina renúncia quaresmal para Fundo de Solidariedade e Venezuela. 

“Para uma vivência consciente do mistério pascal” é o título da nota pastoral do bispo do Porto, D. Manuel Linda.

Os momentos mais solenes da vida supõem preparação. Assim acontece com a Igreja e o seu ritmo celebrativo anual. Ora, o ponto mais alto do ano litúrgico, como sabemos, é a Páscoa. Pois bem, para a sua celebração condigna, a Igreja propõe-nos este tempo de «arrumar a casa interior» que é a quaresma. Seguiremos o espírito do nosso plano pastoral e colocaremos os olhos da alma na exemplaridade do profeta Jonas. Mas, em concreto, como proceder?

Também aqui se verifica a frase de Jesus que compara o reino de Deus a “um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas” (Mt 13, 52). E hoje, o alicerce do reino de Deus é a Igreja que não cessa de nos recordar o que vem de sempre e, porventura, fazer novas propostas conformes com as necessidades do momento.

Entre as tradicionais, para a vivência da quaresma, estão a via da interioridade (o relativo silêncio, a oração, a escuta da Palavra de Deus), a via da conversão (a abstinência e o jejum como meios de autodomínio que conduzem ao sacramento da Penitência e este ao da Eucaristia) e a via da fraternidade (contributo penitencial, ou participação ordinária na sustentação da Igreja, e renúncia quaresmal, resultado de um estilo de vida mais sóbrio, traduzido em poupança que se coloca ao serviço dos mais pobres).

Estes dois ofertórios costumam juntar-se num único. Consultados os órgãos de participação, concordou-se dividir o resultado da tal renúncia quaresmal da seguinte forma: cinquenta por cento para o Fundo de Solidariedade social da nossa Diocese e outra metade para ajuda à Venezuela.

O nosso Fundo de Solidariedade diocesano tem prestado ajuda a imensas situações graves emergentes ou pedidos de auxilio que nos são reportadas continuamente; quanto à Venezuela, participamos num programa da Caritas local cuja função é localizar e suprir situações de carência alimentar severa ou grave, particularmente entre crianças e grávidas.

Na sua mensagem para esta quaresma, o Papa Francisco acrescenta mais um vetor: o “jardim da comunhão” com a própria natureza, expressão da glória de Deus e casa comum para todos nós. Se não nos responsabilizamos por ela, obscurecemos a nossa relação com Deus, autor de tanta beleza, e prejudicamos gravemente os irmãos, pois a crise ecológica traduz-se em doenças e mortes causadas pela poluição, em desastres naturais, em fome devido à seca ou enxurradas, em pragas que afetam as culturas, etc.

Vivamos, então, esta quaresma como tempo de graça e caminho de felicidade. Seja-me permitido acentuar o recurso ao sacramento da Penitência e a generosidade da renúncia quaresmal. Que o Senhor nosso Deus volte sobre vós o seu olhar e vos conceda a paz.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

MENSAGEM DE NATAL DE D. MANUEL LINDA

Bispo do Porto dirige-se à diocese, nesta altura do Natal, apelando à proximidade da pobreza e da solidão, tendo como referência o presépio.
É “com emoção” que D. Manuel Linda dirige a sua primeira mensagem, em vídeo, à diocese por altura do Natal e destaca a “pobreza e solidão do presépio”.
“Aquela família não tem nada nem tem ninguém, só a solidão e os animais mas, Deus providencia”, diz o bispo do Porto.
Com o anúncio do anjo juntam-se os pastores e os reis do Oriente e a “solidão completa e a pobreza total transformam-se em convívio, como os nossos presépios representam, e nas prendas que alimentam o menino e família”.
O bispo do Porto aponta ainda a atualidade da mensagem “das páginas do evangelho” e a “lição do presépio”.
“Tantas famílias e pessoas na pobreza que não se suporta e solidão que não se compreende, estejamos com elas, batamos-lhes à porta, levemos um sorriso, um carinho,  e, porventura o que lhes faz falta na mesa”, apela.
D. Manuel Linda deixa votos de boas festas aos seus diocesanos mas convida ainda a que o novo ano de 2019 “jamais seja um ano de solidão”, pelo contrário seja um “ano de companhia, graça e solidariedade, pois todos formamos a Igreja e a sociedade”.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

PRÉMIO D. ANTÓNIO FRANCISCO


A recordar a grandeza moral e humana de D. António Francisco dos Santos, a Irmandade dos Clérigos, a Associação Comercial do Porto, e a Santa Casa da Misericórdia do Porto, anunciam esta tarde o vencedor do Prémio D. António Francisco. Com um valor de 75 mil euros, destina-se a apoiar cidadãos ou instituições que se distingam na promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, na defesa e promoção dos direitos humanos, no diálogo inter-religioso e ecuménico e na promoção da paz. A cerimónia de atribuição está agendada para as 17h00, no Palácio da Bolsa.

domingo, 27 de maio de 2018

EUTANÁSIA: «O insuportável é a ausência dos afetos»

«Não é a dor física que leva ao desespero, pois essa é facilmente superada pelas modernas técnicas de analgia e cuidados paliativos. O que passa todos os limites é o saber-se que muitos “adoram” o cão e o gato, mas nunca visitam a mãe ou o avô. O insuportável é a ausência dos afetos, a fragilidade das relações, o grassar da cultura do “descarte”».

Assim escreve o bispo do Porto, D. Manuel Linda, em texto publicado no semanário “Expresso” de hoje, a propósito da votação sobre a despenalização da eutanásia, marcada para terça-feira no parlamento.

«A submissão ao facilitismo representa sempre uma abdicação perante a sensatez. Pior: começa por ser um “mal que se tolera” e, de abaixamento em abaixamento, chega ao “mal que se impõe”. Até ser tido como um “bem”. É o plano inclinado onde se forma a bola de neve que nunca se sabe onde vai parar», assinala o prelado doutorado em Teologia Moral.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A PASTORAL DA FAMÍLIA CONVIDA, toda a comunidade a participar

DEBATE SOBRE A EUTANÁSIA
Hoje, dia 16 de Maio às 21h30, 
no SALÃO PAROQUIAL.
Mas, fundamentalmente, o que mais deveria preocupar os dirigentes sociais é o desaparecimento da ética, estrutura estabilizadora da sociedade, com o consequente confiar ao direito toda a força da regulamentação. É que este só se impõe pela força do direito… penal. O direito é bom, mas desde que não se torne exclusivo: ao confiar-lhe a totalidade da normalização social, abdicamos da força da liberdade constituinte da pessoa em detrimento da normativa exterior e coercitiva. O que vai sempre desembocar no positivismo jurídico, isto é, na aplicação fria da normativa, sem comiseração nem contemplações, como demonstrou o recente caso da criança inglesa Alfie Evans. A eutanásia representa, portanto, um terrível abaixamento do «tónus» moral da sociedade com consequências que, a médio prazo, podem ser dramáticas.

D. Manuel Linda
http://diocese-porto.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=3683:eutanasia-pequeno-contributo-para-um-dialogo-cultural-serio&catid=153:textos-e-apresentacoes&Itemid=242