Durante quase 27 anos, percorreu o mundo como quem leva no olhar uma sede antiga. Falou às multidões, mas sempre como se falasse a cada um. Deteve-se junto dos pobres, dos doentes, dos jovens, dos esquecidos. Tinha o dom raro de estar verdadeiramente presente, como quem escuta a vida para lá das palavras. Acreditava no diálogo, na reconciliação, na dignidade de cada ser humano. Foi poeta, filósofo, pastor, e, sobretudo, um homem de oração.
Nos últimos anos, o seu corpo traiu-lhe a força, mas nunca lhe roubou a luz. O sofrimento foi-lhe moldando o rosto, tornando-o ainda mais próximo da cruz que sempre carregou com amor. Quando, enfim, partiu, Roma e o mundo inteiro ficaram suspensos num silêncio cheio de lágrimas e gratidão. Porque João Paulo II não foi apenas um Papa. Foi um farol. Um abraço. Uma voz que nos ensinou a confiar mais na misericórdia do que no medo.
Hoje, vinte anos depois, o seu testemunho continua a arder como um lume brando. O tempo não o apaga. Porque há vidas que, ao invés de terminarem, apenas mudam de lugar.
Manuel Sampaio
Catequese e Família