terça-feira, 3 de março de 2026
DOMINGO II DA QUARESMA
SALMO RESPONSORIAL Salmo 32 (33), 4-5.18-19.20.22 (R. 22)
Refrão: Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia.
(...)
A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e protetor.
Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor.
segunda-feira, 2 de março de 2026
CAMINHADA DA QUARESMA À PÁSCOA
II Domingo da Quaresma A
ABERTURA DO OUVIDO
Evangelho: Mt 17,1-9 – A Transfiguração
No monte, o Pai não convida a olhar, mas a escutar: «Escutai-O». A fé nasce da escuta da Palavra e da obediência confiante ao Filho. “São Paulo usará uma fórmula que se tornou clássica: «fides ex auditu — a fé vem da escuta» (Rm 10, 17). O conhecimento associado à palavra é sempre conhecimento pessoal, que reconhece a voz, se lhe abre livremente e a segue obedientemente. Por isso, São Paulo falou da «obediência da fé» (cf. Rm 1, 5; 16, 26)” (LF 29). Não esquecer que “escutar” é uma das formas verbais mais importantes da espiritualidade e da prática sinodais: Disse Leão XIV, na abertura do seu primeiro Consistório: “Estou aqui para escutar (…) a dinâmica sinodal implica, por excelência, a escuta” (Discurso, 7.1.2026).
1. Abre os teus ouvidos: escuta!
O sentido a ativar nesta semana é o do ouvido. “Escutai-O”, é o convite mais radical no alto do monte. Escutar é um exercício espiritual: Deus passa muitas vezes pela voz discreta do que não faz ruído. A escuta surge como condição da mística do instante — ouvir o mundo, o outro e o silêncio de Deus. Somos desafiados a abrir o ouvido do coração, como nos sugere São Bento, na sua Regra. “A escuta não é apenas a recolha do discurso sonoro. Antes de tudo, é atitude, é inclinar-se para o outro, é disponibilidade para acolher o dito e o não dito” (Cardeal Tolentino Mendonça).
2. Sinais e atitudes a valorizar na celebração
• Convidar à escuta atenta da Palavra.
• Cuidar da proclamação da Palavra.
• Fazer um breve silêncio meditativo após o Evangelho.
• Neste como noutros domingos, o cântico de ofertório e o cântico final podem ser substituídos pelo silêncio.
3. Enfoque pastoral: aprender a escutar a Palavra de Deus. A audição ocupa um lugar central na tradição bíblica: “Escuta, Israel”. Na Quaresma, escutar é mais do que ouvir: é acolher a Palavra, deixar-se interpelar. Convida ao silêncio interior, para discernir a voz de Deus no meio do ruído. É também escuta do outro, especialmente de quem não costuma ser ouvido. Supõe conversão da linguagem: menos palavras vazias, mais escuta verdadeira, escuta humilde e escuta empática.
4. Propostas pessoais e comunitárias
• Reservar um tempo para a escuta de quem nos pede para ser escutado.
• Incentivar e realçar a importância da Leitura orante da Palavra (lectio divina).
• Criar espaços de silêncio e escuta em casa.
• Desafiar a viver um dia da semana, sem os “ruídos” do telemóvel.
• Reduzir conscientemente o ruído exterior e interior (palavras, ecrãs, estímulos constantes).
• Renunciar ou limitar o uso dos auscultadores (headphones);
• Dar aos fiéis, uma citação bíblica de uma frase do Evangelho, que devem procurar e enviar por SMS a três amigos.
• Escolher um momento fixo do dia para escutar a Palavra de Deus, acolhendo-a.
• Cuidar das palavras usadas no quotidiano, evitando murmuração, agressividade ou banalidade.
5. Perguntas para reflexão e exame de consciência: A quem estou verdadeiramente a escutar? Que vozes me impedem de escutar Jesus?
BREVE MISTAGOGIA DO SENTIDO DO OUVIDO: A ESCUTA DE DEUS E DOS OUTROS
A fé nasce da escuta da Palavra e da obediência confiante ao Filho. A fé nasce da escuta. Escutar é mais do que ouvir sons: é acolher uma palavra que vem de fora; é aceitar não ser a origem de si mesmo. Escutar é consentir em ser visitado. Israel é o povo do Shemá; o cristão é discípulo porque escuta. A audição é o sentido da alteridade, da obediência amorosa, da relação. Junto ao ver e o olhar está o ouvir e escutar. Em primeiro lugar, importa saber escutar a voz humana, com a sua riqueza expressiva única, com o seu calor, o seu timbrem as suas inflexões e ritmos. A pessoa é também a sua voz e acolhe-se escutando-a. É certo que a prioridade pertence ao conteúdo da comunicação, mas não se pode menosprezar o canal de comunicação oral.
AFINAR O OUVIDO PARA A ESCUTA NA LITURGIA
Na Liturgia do Verbo encarnado, não é possível separar adequadamente a Palavra da voz. Se é importante ouvir, é importante falar, dizer bem, com profundo respeito e enamoramento pela Palavra e pelos ouvintes. Mas o ouvir não é só relativo à voz que fala ou canta, à Palavra proclamada ou entoada. Importa referir aqui a importância decisiva do silêncio, a entender como espaço de comunicação, e nunca como o contrário da Palavra. Também o universo dos sons da natureza, humanizados em diverso grau, é chamado à colação: a música instrumental, o toque dos sinos, o tilintar das campainhas, o bater das matracas, o escorrer da fonte, o crepitar da chama. Dos cinco sentidos, sobressai o ouvido, o sentido da palavra, para o qual convergem todos os demais. É um órgão por excelência da comunicação humana e religiosa. Não esqueçamos a afirmação paulina de que a fé vem de ouvir a Palavra (Rm 10,14), afirmação que se cumpre na celebração litúrgica mediante a proclamação e a escuta da Palavra. ““o que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos próprios olhos, o que contemplamos acerca do Verbo da Vida, é o que vos anunciamos para que estejais em comunhão connosco” (1 Jo 1,13). Segundo estas palavras, os dois sentidos são a visão e o ouvido. Mas, assim como entre os gregos prevalece o ver sobre o ouvir, no mundo judeu do Antigo Testamento ocorre o contrário: é mais importante o ouvir do que o ver. Na Bíblia predominam as audições sobre as visões. “Tudo o que cremos – diz Santo Agostinho -cremo-lo por ver e escutar”. O ouvido acolhe e recebe, enquanto a vista analisa e divide. Para captar o religioso, é necessário ouvir. O ouvido equivale à disposição de escutar e obedecer a quem fala. “Quem tem ouvidos, oiça» (Ap 12,9). Mais de 20 vezes alude o Apocalipse a uma voz vibrante (1,10), potente (5,2; 11,12; 21,3). O ouvido é o sentido da comunicação no Evangelho da cura do surdo-mudo (Mc 7,31-37). Escutar é ouvir atentamente. Deus escuta os gritos do seu povo, Jesus escuta o grito dos necessitados e o cristão escuta a palavra do Senhor e o clamor dos pobres. Em definitivo, a Liturgia proporciona o encontro de duas palavras: a de Deus, a de Deus, que toma a iniciativa, e a do homem que a expressa como resposta. Assim como o ver nos leva a contemplar, o ouvir nos convida a atuar. A Liturgia é um diálogo através de ações e de palavras. Nesta perspetiva, deve valorizar-se o rito do Effathá, nos ritos preparatórios dos eleitos para os sacramentos pascais da iniciação cristã, no sábado santo.
domingo, 1 de março de 2026
MAÇO 2026 - INTENÇÃO DO PAPA
Rezemos para que as nações avancem em direção a um desarmamento efetivo, especialmente o desarmamento nuclear, e para que os líderes mundiais escolham o caminho do diálogo e da diplomacia em vez da violência.
ORAÇÃO
Senhor da Vida,
que moldaste cada ser humano
à tua imagem e semelhança,
acreditamos que nos criaste para a comunhão,
não para a guerra,
para a fraternidade, não para a destruição.
Tu, que saudaste os teus discípulos dizendo:
«A paz esteja convosco»,
concede-nos o dom da tua paz
e a força para torná-la realidade na história.
Hoje elevamos a nossa súplica pela paz no mundo,
pedindo que as nações renunciem às armas
e escolham o caminho do diálogo e da diplomacia.
Desarma os nossos corações do ódio,
do rancor e da indiferença,
para que possamos ser
instrumentos de reconciliação.
Ajuda-nos a compreender
que a verdadeira segurança
não nasce do controlo que alimenta o medo,
mas da confiança, da justiça e da solidariedade
entre os povos.
Senhor, ilumina os líderes das nações,
para que tenham a coragem
de abandonar projetos de morte,
parar a corrida ao armamento
e colocar no centro a vida dos mais vulneráveis.
Que nunca mais a ameaça nuclear
condicione o futuro da humanidade.
Espírito Santo,
faz de nós construtores fiéis e criativos
de paz quotidiana:
no nosso coração, nas nossas famílias,
nas nossas comunidades e nas nossas cidades.
Que cada palavra amável,
cada gesto de reconciliação
e cada decisão de diálogo
sejam sementes de um mundo novo.
Ámen.
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